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Moacyr de Lima e Silva






Ser ou estar, eis a questão

Não estou querendo parodiar a famosa frase escrita por Shakespeare: “Ser ou não ser, eis a questão”, apenas estou entrando em um campo de clareza filosófica e sociológica, mais uma vez para mostrar o quanto de desvio de conduta, originário pela inversão de valores que impera livre e solta por toda a humanidade, arrastando os seres viventes para uma situação de drogados pela visão estreita, sem noção do que vieram fazer neste planeta. O que tudo indica é que o homem, não tendo noção da sua insignificância perante o Universo, está acreditando que ele mesmo pode ser um ser infalível em sua conduta e em suas opiniões, a ponto de achar possível a salvação do mundo, caminhando em sentido oposto aos desígnios da Natureza! O mundo inteiro está delirando, e isto não pode ser contestado, porque não existem argumentos que sejam defensáveis contra resultados óbvios, ululantes e absolutamente reais - estamos em pleno oceano, com o navio fazendo água, e ainda nos mantemos preocupados com os “combates” das Olimpíadas, com os campeonatos de futebol, ou com o preço da cerveja e da pinga!
Se analisarmos o que acontece com a ciência médica materialista, veremos que ela está colaborando, e muito, para que a saúde mundial se deteriore a um ponto de beco sem saída, principalmente pela atuação das indústrias farmacêuticas, criadoras de “venenos legais”, impingidos aos incautos, de forma desumana e irresponsável. Se analisarmos o que acontece com a nossa agricultura, iremos constatar que a instituição da aplicação de agrotóxicos e de pesticidas está esculhambando com o Planeta, com a fauna, com a flora e com a humanidade – e ainda há os ignorantes além dos limites, que se arrogam o direito de mudar a natureza das coisas, aventurando-se no campo dos transgênicos, julgando-se os próprios “salvadores da pátria”!
Se fizermos uma análise mundial da política, da economia, dos governantes, do comércio, das religiões, das finanças, das benemerências, dos esportes, das comunicações, da educação e demais atividades afins, com certeza iremos encontrar a podridão da corrupção, da luta de poderes, da enganação, da “mutretagem”, da ganância e demais negatividades perniciosas, que só fazem por denegrir a nobreza do ser humano, colocando-o em posição abaixo dos níveis animalescos, porque os bichos agem por instinto natural, ao contrário do homem, que usa sua “inteligência” para agir contra os semelhantes, sempre por interesses vis. É lógico que existe uma irrisória minoria que não se enquadra nesses perfis, mas ela é mínima mesmo, por mais que não queiramos admitir.
Mais uma vez o império da ignorância e da preguiça está comandando a mediocridade dessas atitudes negativas, haja vista o que acontece com o conceito distorcido entre o “ser” e o “estar” – todos sonham em ser alguma coisa importante, porém não querem se sujeitar a muitos esforços para atingirem o objetivo, portanto, se por qualquer razão conseguem chegar lá, por intermédio de caminhos escusos, eles acabam por se colocarem na posição de estarem, mas nunca de serem, o que seria fundamental para obterem sucesso verdadeiro. O fato de alguém estar em uma situação de comando qualquer, mas não tendo preparo para o exercício da função, só provocará resultados desastrosos até para si mesmo. Se quisermos colocar a pessoa certa no lugar certo, isso somente acontecerá quando ela seja uma verdadeira líder, que ela seja essa pessoa pronta a ocupar o cargo desejado, que ela seja aquela que tenha capacidade intelectual, moral, cívica, educacional e salutar para manter a posição em alto nível de credibilidade.
Toda a bagunça que se nos apresenta hoje é apenas o resultado de haver uma imensa quantidade de indivíduos que estão no exercício de funções fundamentais para o bom andamento da civilização, mas que não possuem um mínimo de decência, de inteligência, de escolaridade e de liderança inata, ou seja, aquela capaz de manter a força de comando não por imposição, ou pelo poder do cargo, ou por “vendas” de vantagens, mas pela personalidade preparada, gerada pela alta individualidade. O verdadeiro comandante é aquele que é, não apenas aquele que está. A simples troca da embalagem não irá melhorar a qualidade do conteúdo.

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