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Alice Gomes






A BORBOLETA

As lindas asas azuis de corpo cansado,
finalmente na parede quieta e branca.
Ah! Descanso! Oh! Cansaço!
 
Grande aventura foi o voar! Sim, grande aventura!
 
O que fazia mesmo enquanto voava? Não se lembra.
Ah! Descanso do voar! Oh! Cansaço do voar!
 
A amiga cigarra, a cantar, cantar:
- Despues de um año bajo la tierra!
Morreu a amiga de tanto cantar.
 
Ah! Se pudesse, outra vez lagarta!
Comer, comer! Brincar de comer.
Há quanto tempo não come..
Deslizar por entre as folhas e depois comê-las.
E deslizar, e comer, e deslizar, e comer.
Armazenar, armazenar.
 
Grande aventura foi o voar! Sim, grande aventura!
 
O que fazia mesmo enquanto comia? Não se lembra
Ah! Descanso do comer! Oh! Cansaço do comer!
 
A amiga cigarra no chão. As formigas a comê-la.
Comer! Comer!
Armazenar. Armazenar.
 
 
Ah! Se pudesse, outra vez casulo!
Silêncio, silêncio. Dormir em silêncio.
Dormir em si mesma, sobre si mesma, dentro de si.
Há quanto tempo não dorme.
E dormir, e comer-se, e dormir, e comer-se.
Poupar-se. Poupar-se.
 
Grande aventura foi o voar! Sim, grande aventura!
 
O que fazia mesmo enquanto dormia? Não se lembra
Ah! Descanso do dormir! Oh! Cansaço do dormir!
 
A amiga cigarra, que já é formiga.
Fragmentos de cantos comidos.
E tudo é transmutar.
  
 
Ah! Se pudesse, outra vez o voo!
O gozo consciente do voar!
Sem fome, sono, chão, amiga, destino.
Sem visões de formigas de asas azuis.
Nunca mais o encolher-se
Nunca mais o desdobrar-se
 
 
Grande aventura foi o voar! Sim, grande aventura!
 
O que fazia mesmo enquanto tentava? Não se lembra
Ah! Descanso do tentar! Oh! Cansaço do tentar!

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