Apelido:

Senha:


Esqueci minha senha







Andreia Frederico Coutinho






O que e como fazer para escrever bem

O QUE E COMO FAZER PARA ESCREVER BEM
 
Uma das maiores preocupações que permeiam no âmbito escolar tem sido a produção de texto, principalmente o dissertativo, por apresentar dificuldades no seu processo de elaboração e produção.
 
Por ser um texto que procede de reflexões sobre determinado assunto, em que a opinião do locutor deve ser explicitada e, principalmente, acatada pelo interlocutor, exige-se maior rigor e complexidade nos mecanismos de produção. Quer dizer, ao comentar sobre determinado assunto tem-se a pretensão de atingir o outro, seja por convencimento ou por persuasão. Assim, torna-se fundamental se servir de uma linguagem elaborada, haja vista que para se obter adesão do interlocutor o discurso deva estar bem construído e articulado. Portanto, a apresentação das ideias, a progressão sobre as quais se fundamentam e as conclusões são fatores indispensáveis na dissertação.
 
Pode-se afirmar que no discurso dissertativo, a marca da subjetividade é mais explícita que nas demais formas discursivas, ao contrário do que muitos acreditam: ser a dissertação um texto absolutamente objetivo, por não aparecer claramente a marca do “eu”. A subjetividade se evidencia nesse tipo de texto, pois ao emitir opiniões busca-se fazer com que o interlocutor se alie ao locutor. Logo, a intenção do locutor não é apenas fazer o seu discurso, mas de envolver, sobretudo, seu ouvinte, de forma a convencê-lo e persuadi-lo.
 
Segundo o professor e escritor Antônio Suárez de Abreu, em sua obra A arte de argumentar: gerenciando razão e emoção (1999), convencer significa construir algo no plano das ideias – trabalha-se a razão e persuadir significa construir algo no plano da ação – trabalha-se a emoção. A presença desses elementos provoca mudanças no comportamento do ouvinte em prol do discurso do falante.
 
O processo de convencer e persuadir requer do emissor raciocínio lógico, além de um discurso bem argumentado. É justamente nesse sistema de elaboração que residem as maiores dificuldades.

Comumente, os professores nomeiam a estrutura dissertativa em introdução, desenvolvimento e conclusão. Salienta-se que essa nomeação se refere à estrutura das partes, uma vez que a estruturação do raciocínio deve vir a priori, ou seja, o texto dissertativo requer organização, seleção lexical, progressão de ideias e argumentatividade. Observa-se, ainda, a importância da clareza ao tema abordado. O bom texto apresenta recursos de eficiência textual: adequação ao tema solicitado, ao tipo de composição e ao nível de linguagem – indispensáveis à clareza e à qualidade do texto.
 
Nota-se que a argumentação parece ser o ponto crucial do texto dissertativo, haja vista que essa tipologia textual se constitui de provas lógicas ou subjetivas. Por isso, é imprescindível coerência e coesão no que se escreve, além de progressão de ideias no decorrer do texto.
 
Deve-se, ao dissertar, considerar alguns fatores importantes, tais como: o tipo de assunto a ser abordado, o raciocínio mais adequado à argumentação, o entrelaçamento do raciocínio mais adequado à argumentação e o entrelaçamento do raciocínio para se chegar à conclusão de forma convincente.
 
A argumentatividade faz-se presente em qualquer tipo de texto, e não apenas no tradicionalmente classificado dissertativo. Por essa razão, não existe texto neutro, objetivo ou imparcial. Os indícios de subjetividade estão inseridos no discurso, que permite a percepção dos argumentos ali presentes.
 
A pretensão de existir neutralidade em alguns discursos é uma forma de representação, segundo afirma Ingedore Koch (1992):
 
“o locutor se representa no texto como se fosse neutro, como se não estivesse engajado, comprometido, como se não estivesse tentando orientar o outro para determinadas conclusões, no sentido de obter dele determinados comportamentos e reações”.
 
Esse disfarce se consolida por meio de seleção lexical, já que argumentar e persuadir requerem escolha de vocábulos para se obter um texto eficaz. Portanto, torna-se fundamental ao usuário da língua perceber o valor da argumentação presente no léxico, não só no discurso do “outro”, mas, em especial, utilizar-se desses elementos para a construção adequada e eficiente do seu próprio discurso.
 
 
Andreia Frederico Coutinho
Graduada em Letras Português pela Universidade Federal do Espírito Santo.
Pós-graduada/Especialista em Estudos Linguísticos pela Universidade Cidade de São Paulo.
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 

ABREU, Antônio Suárez. A arte de argumentar: gerenciando razão e emoção. São Paulo. Ateliê Editorial, 1999.
 
______________________. Curso de redação. São Paulo: Ática, 1992.
 
CITELLI, Adilson. Linguagem e persuasão. 6 ed. São Paulo: Ática, 1991.
 
COUTINHO, Andreia Frederico. “Fonte de poder e transformação”.  Jornal A tribuna, 12 ago, 1999.
 
___________________________. “Produção escrita”. Jornal A Gazeta, 20 set, 1999.ne
 
FABRE, Claudia & CAPEAU, Paul. “Para uma dinâmica da aprendizagem: leitura, escritura e reescritura”.
 
GERALDI, João Wanderley et al. O texto na sala de aula. São Paulo: Ática, 1997.
 
GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO: Secretaria de Educação. Coordenadora de Estudos e Normas Pedagógicas. Subsídios à proposta curricular de língua portuguesa para o 1º e 2º graus. São Paulo: SE/CENP, 1988. V. 3.
 
GUIMARÃES, Eduardo. Texto e argumentação: um estudo de conjunções do português. São Paulo: Pontes, 1987.
 
ILARI, Rodolfo. A linguística e o ensino da língua portuguesa. Martins Fontes.
 
KOCH, Ingedore G. Villaça. A inter-ação pela linguagem. 2 ed. São Paulo: Contexto, 1992.
 
_______________________. Argumentação e linguagem. 2 ed. São Paulo: Cortez, 1987.
 
LÁZARO, André. “Leitura e linguagem”. PROLER: RJ, maio, 1993.
 
OLÍMPIO, Hilda de Oliveira. O ensino da língua portuguesa: numa perspectiva textual-discursiva. UFES, 1997.
 
QUEIROZ, Bartolomeu Campos de. “Leitura e literatura”. In: Palestra, BH.
 
ROSA, Guimarães. Tutaméia: terceiras histórias. 5 ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979.
 
SILVA, Ezequiel Teodoro. Leitura e realidade. 5 ed. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1997.
 
THEREZO, Graciema Pires. Como corrigir redação. 2 ed. São Paulo: Alínea, 1997.
 
VARGAS, Suzana. “Pressupostos para uma estratégia de leitura”. In: Leitura: uma aprendizagem de prazer. Rio de Janeiro. José Olympio, 1993.
 


Tempo de carregamento:0,07