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Ivan de Oliveira Melo






Dantesca Solidão

Fome  de  amor  flagelou-me  o  corpo
E  me  vi  detrito  de  carniça  para  os  urubus,
Meus  sonhos  envelheceram  na  inanição  em  que  me  pus
Diante  de  grotescos  espinhos  espetados  num  devaneio  morto.
 
Meu  sangue  coagulou-se  de  podridão  na  sarjeta  densa
E  no  aroma  nefasto  que  pelo  espaço  se espalhou
Centenas  de  corvos  desvendaram  as  malícias  do  meu  amor
E  na  ampulheta  da  vida  deixaram  átomos  de  descrença.
 
Minha  carne  saciou  dos  abutres  sua  indigesta  fome
E  às  panteras  restaram  fragmentos  de  ossos  sem  nome
Enquanto  meus  pelos  vaguearam  numa  arena  deserta  guardando  meu  DNA...
 
Se  numa  enfermidade  de  vida  fui  jogado  na  solidão  ao  relento,
Meu  espírito  sentiu  em  angústia  a  amargura  atroz  do  pensamento
Que  pôde  mergulhar  incólume  pela  tempestade  que  agitava  a  água do  mar!


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