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Raimundo Borges da Costa






SONETOS


"POESIA TRANSVERSAL"

A chuva caia oblíqua sobre a grama
Batia nas janelas, tamborilava nos telhados
Uma canção de amor dos céus ao ser que ama
Na calçada, papeis avulsos com poemas molhados

A água corria pela sarjeta ao encontro do nada
Silente, o seu burburinho era como uma prece
Que aos poucos ia se perdendo na rua encantada
Na busca olvidada dos sonhos que o coração tece

A vidraça embaçada, o papel para dezenho
Onde o dedo mágico trabalha o momento
Não por força de qualquer engenho

Mas porque do coração elevou-se um pensamento
Que a chuva vai cantando a saudade das coisas que tenho
E trazendo da rua encantada o doce contentamento.


"POEMA FÚNEBRE"

A morte é como acordar de um sonho bom
Numa silenciosa praia deserta e ensolarada
Uma alegre canção que perde o tom
O sono interrompido quando ainda é madrugada

É uma longa viagem sem nunca ter parada
Um adeus sem despedida, sem saber ao certo
Por onde nos conduzirá a desconhecida estrada
Se pelo calor das ruas, ou pelo frio deserto

E, indiferentes - ao longo dos dias - vamos a cultivar
A flor negra de beleza rara, sombria e soturna
Na futilidade de certas coisas que nos dispomos a amar

Sem dar conta de que em seu curso, um dia o sonho ‘inda
Vai desaguar numa desconhecida praia noturna
Onde a canção destoada também finda.

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