Juliana Silveira






GRAÇA

Se você for, vá com graça.
Não olhe para trás com saudade do que passou
Nem com piedade de quem fica:
cada coisa está onde foi feito seu lugar.
 
Não tente fazer um arbusto frágil
Sobreviver ao tufão;
nem plante rosas numa terra arrasada.
Simplesmente caminhe.
Perceba na estrada as flores que lá já estão,
à sua espera.
 
Em vez de chorar, abençoe a graça de poder partir:
há tantos que gostariam e não puderam
Por falta de recursos
Ou mesmo de coragem.
 
Não lamente o que a sorte lhe tirou:
atenha seus olhos ao que se manteve em pé
Depois da tempestade.
E espere, ainda com graça.
 
Daquilo que seus braços soltaram,
o principal já reside em seu peito.
Liberte suas mãos para receber,
e talvez carregar, aquilo que virá.
 
Faça de seu andar pela vida poesia,
apreciando a paisagem, sentindo cada passo
E reconhecendo o instante de repouso.
Por trás de cada fato, assim como de cada rosto,
mesmo dos tristes, aguarda o crescimento.
 
Faça de suas paragens parte da caminhada,
e também o contrário;
pois quando você se abrir, em flor,
perceberá que tanto o andar como o descanso
Provém da mesma graça. (Juliana Davi)
 

CopyRight © Cepedê Sistemas & WebSites - Comércio eletrônico.