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Heloisa Pereira de Paula dos Reis






Dilema

Dilema

 

 O vento acariciava seus cabelos e ela nem se dava conta do carinho recebido. Estava sem alma... Não mais entendia o que era ser acarinhada.

Passou a viver num dilema sem fim.Mostrava-se ineficiente frente às razões mesquinhas que lhe eram apresentadas. Tanto tempo perdido em conflitos, em discussões intermináveis que não levavam a nada... Apenas ao desgaste que se agigantava cada vez mais e mais.

Sentimentos não eram mais respeitados. Cada um cuidava do seu e ponto.

O arrependimento dos passos percorridos no decorrer de sua vida, a fez perceber que não poderia mais mentir para si mesma.

O passado vivido não poderia fazer com que ela trouxesse para o presente a paz tão desejada.

Mas e daí, fazer o que para que a situação fosse revertida? Nada.

O sentimento de anulação sufocava as lembranças dos prazeres já vividos, fazendo com que outras lembranças tomassem o seu lugar... As não tão boas assim.

As perspectivas de que algo melhor ou mais prazeroso fosse acontecer, passava ao longe... A perder de vista.

Carregava seus problemas de um lado para outro. Pobre mulher... O desassossego que a acompanhava era inevitável, inquietante mesmo. Fazia com que ela relembrasse tudo com detalhes.

Melhor tolerar a ambiguidade e a indecisão que sentia como se fosse um antídoto perfeito, do que aceitar intenções generosas... E contraproducentes.

Não era nada fácil dissipar seus problemas. A revivencia do amor acabado estava sempre a seu lado, não a abandonava. Nunca.

Era susceptível a todos os problemas que a ela se apresentavam.

Mas, num esforço infatigável, interpretava a vida a seu modo. Tentava redesenhá-la, perseguindo quimeras.

Como se possível fosse...

 

Heloisa/2011

 

 

 

 

 


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