katia leandra lima pereira






CRÔNICA DE UMA BIPOLAR - INSÔNIA I

CRÔNICAS DE UMA BIPOLAR – INSÔNIA I

Acordo no meio da noite por vários motivos: tempestade, sinto a falta de luz (não gosto do escuro), barulho de festa, ronco de marido. São tantos os motivos, mas o principal é que eu não consigo dormir. Tenho insônia. Ela não me deixa dormir. Prefere  que eu fique sozinha no meio da noite.
A casa toda em silêncio, menos eu. Sou um turbilhão de pensamentos querendo sair. Mas eu quero dormir. Não pensar em nada. Só quero dormir para sonhar. Sonhar - há quanto tempo não sonho.
Posso recorrer a comprimidos, dormirei. Mas não será um dormir tranquilo, apenas o meu corpo ficará sedado por algumas horas. Eu não quero isso. Quero fazer o que a maioria das pessoas normais fazem às duas da manhã. Dormem.
Uma festa para ir podemos encontrar acompanhantes, também para o cinema, para bares, até para supermercado; mas quem quer fazer companhia a quem tem insônia. Ninguém. Por mais amor que você tenha a pessoa, o teu corpo pede uma pausa. E você não consegue ,obedece.
Para os quem tem insônia o corpo não pede pausa, pede continuidade do dia, sem querer saber se você precisa parar um pouco. Precisa repousar.
Sinto raiva nessa hora. Acordo com raiva, choro. Mas a insônia vence. Vejo o dia amanhecer e com ele vai-se mais um dia, sem uma noite.
Lembrei de um pensamento de Virginia Woolf: “Pensei o quanto desconfortável é ser trancado do lado de fora; e pensei o quanto é pior, talvez, ser trancado no lado de dentro.”
Gostaria de sofrer por amor, assim choraria muito até meu olhos ficarem inchados, pensaria muito nele e dormiria sonhando com ele.
Mas não sofro por amor, então posso chorar até meus olhos ficarem inchados e não dormirei.

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