José Ademilson Oliveira






A Teologia e a Prática da Justiça Social na Sociedade Pós-Moderna


A TEOLOGIA E A PRÁTICA DA JUSTIÇA SOCIAL NA SOCIEDADE PÓS-MODERNA.

José Ademilson Oliveira

Bacharel em Teologia

ademilcipo@ig.com.br
 
Em todas as sociedades, a religião tem sido para o homem, mediante os seus ritos, divindades e tradições, não somente instrumento de recondução ao seu Criador, mas, a busca de garantia de continuidade da vida. Nessa tentativa o homem tem expelido os seus pecados e as suas mazelas, tem-se reencontrado com o seu semelhante buscando estabelecer através das suas manifestações litúrgicas e nos seus rituais em templos e comunidades, o reino de Deus. Essa busca é constante e necessária para a vida humana. Pois a procura pelo divino, pelo transcendente é intrínseco do ser humano. Entretanto, como entender a compreensão de reino de Deus sem a unidade daqueles que O buscam? Como entender encontrar Deus e não partilhar comunitariamente esse Deus tão buscado por todas as gerações? A consciência fraterna deve ser o resumo da evidência desse encontro. A busca por Deus e o seu magnífico encontro, também deve resultar na partilha daquilo que Ele oferece ou proporciona.
 
Em Cristo a idéia de reino é a o nascimento de uma nova natureza no interior do ser humano, é a mudança dos conceitos egoístas e individualistas para um coração de bondade e mansidão, um coração que já não pensa mais em satisfazer as suas próprias necessidades, mas o coração da partilha e da visão comunitária. No entanto, quando o indivíduo se prende apenas no exercício de uma fé regada a experiências místico-individualistas, essa idéia tende a se distanciar e até perder-se deixando de fazer qualquer diferença positiva na comunidade.
 
Na sociedade pós-moderna a Teologia deve estar comprometida com a prática da justiça social a fim de promover as mudanças necessárias para o bem comum resultando marcar positivamente a história.
 
A evolução do pensamento e a rapidez tecnológica tornam o homem mais racional levando-o a buscar respostas imediatas para os seus inúmeros conflitos, e, nessa dinâmica, a religião tem perdido vasto espaço. A fé tem sido ridicularizada, especialmente nos ambientes acadêmicos. As distancias nas relações pessoais estão cada vez mais gritantes num contexto onde os veículos de comunicação são os mais diversos e sofisticados possíveis; os contatos são mais rápidos e mais resumidos forçando um esfriamento nas emoções comprometendo também o exercício da prática da fé pessoal e comunitária.
 
Movido pela celeridade do tempo, o homem corre em direção aos seus próprios interesses levando a um sentimento coletivo de egoísmo e individualismo. O reflexo disso é o distanciamento entre as classes sociais e as rápidas mudanças dos verdadeiros conceitos de ética e respeito, conseqüentemente, resultando em violência e injustiça. Esse é o preço do avanço nas facilidades para a ligeireza da vida contemporânea. As discussões teológicas precisam ter sua relevância nesse complexo cenário a fim de levar o homem a inclinar-se para o bem comum, ao reencontro consigo mesmo e com o seu Criador para que haja mais comunhão e fraternidade com o seu semelhante resultando numa vida mais justa.

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