Luiz C. Lessa Alves






O SÍTIO DO VOVÔ

O SÍTIO DO VOVÔ
           
No sitio do vovô, ali, eu e meus primos passávamos as férias.
Casa imensa, muitos quartos, além da baita cozinha!
Em um salão havia um rodete, mais um forno de fazer farinha,
E sobre este, grande jirau de varas, onde a meninada dormia.
Ladeada de flores e frutos; um verdadeiro bosque,
Onde a gente brincava, e das tristezas se escondia.
 
A fazenda Rio Grande era um mundo!
Bem maior que a Terra, pois nela cabia tudo:
Todos os meus sonhos e também os dos meus primos.
Ora corríamos feito preá, caititu, paca, cutia...
Ora voávamos igual aos insetos e até como passarinho!
Só à noite a gente virava árvore, no jirau, quando dormia.
 
Um dia, porém, vovô partiu, e tudo na fazenda definhou.
Não nos coube mais lá dentro; alguém suas cancelas fechou.   
Murcharam-se as flores; acabaram-se os frutos...
Sumiram-se as caças, os insetos e até mesmo os passarinhos.
Escondidas no bosque, só ficaram as minhas alegrias;
Com as porteiras fechadas, de lá, as coitadas nunca conseguiram sair.

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