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Leonardo A Cordeiro






A bananeira e o assombro do passo


          Charlavam nos bolichos e na linha inteira que na ponta do cruzo do passo aparecia um padre em luna cheia pra assombrar os andantes e os ginetes noiteiros que procuram percanta e canhas.
            Pois corria a boca pequena que tinha sido morto, por um que corria percanta e ele fue aconselhar pra cuidar das casas e da família e o matou por isso e jogou o corpo na ponte, também charlavam que quem matou o padre muito antes de ter vila ou passo dando Val nos machinhos da cavalhada, morreu loco na banda oriental, em hospício dela.
            Também na pulperia corria a milonga que antes da luna cheia sempre limpava o posto e os bolichos da vila de medo do padre que assombrava no passo da ponte. Até na missa do vigário Adelino, charlava com certo ressabio dos ocorridos pelo passo, as mais carolas charlava quem era obra do coisa ruim, aquilo da ponte.
            Até que um dia o moreno Juca não muito assustado com assombros das noites ginetas, resolveu ir a mirar o padre na ponte pra ver se era de veras. Luna cheia grande pela barra do céu, charlou pra o Vitorino no galpão  do Don Inácio que mateavam fazendo ronda pra o gado, pra irem junto na ponte.
            Mas só Don Inácio resolveu ir junto, Vitorino já com medo preferiu ficar na ronda do gado pelo galpão. E ainda charlou com voz de medo e tremida.:
 
            -Que não vou! Nem que me arrastem na cincha.
            -Aquilo era obra do diabo.
            -Sou muito jovem pra morrer.
           
            Saiu o moreno Juca e Don Inácio de cavalo, proseando e lembrando-se dos ensinamentos antigos, contra assombros. Que se vê assombro, não olha nos olhos dele e vira de costa e cerra os “zoio” e reza com uma faca na boca, três salve rainha e dois pais nosso, que some.
            Chegaram perto da ponte e de longe já miravam com ressabio o padre de pé  ao lado da ponte, voando sem encostar no chão perto de uma bananeira na beira da flor da água que mostrava a luna no reflexo.
            Sem fazer barulho apeou  o moreno Juca atou o pingo  em uma cerca ali perto e foi pela beira do rio pelo meio do mato pra ver mais de perto, se era de veras o fato.
            Don Inácio que tinha ficado muntado mais ao longe rogando pra deus e pedindo benção por ressabio do padre que levitava mais ali a frente. Nisso ouve um barulho de pedras batendo nas folhas, era o moreno Juca que jogou umas pedras no padre que quebrou, Don Inácio arrancou das ferramentas e convidou o cavalo indo pra cima do padre quebrado, achando que o moreno tinha sedo pego pelo padre.
            Que o moreno num riso em meio a noite charlou.:
           
            -Isso não adianta contra assombração, ela não tem corpo.
 
            O moreno Juca voltou e montou e jogou mais outras pedras, pronto pra fugir dali, se preciso, mas que notou que padre quebrou aos pedaços na beira do passo jogou mais uma só e notou que bateu nas folhas da bananeira. E o padre aos pedaços estava...
            Don Inácio num grito.:
 
-De cerca!
           
            Saiu de facão na mão, empurrando um zaina por cima do padre, que espalhou as folhas pra os lados, Que logito o moreno Juca  chegou junto do lado de Don Inácio e começaram a rir.
            Apearam e encheram de proposta, pedra e de facão o padre da ponte, mas era somente o reflexo da luna e da água nas costas brilhantes das folhas bananeira, Don Inácio desceu na beira da ponte do passo pelando as folhas deixando só tronco da bananeira.
            Voltaram rindo e proseando do fato, e foram na mesma noite charlar pra o vigário Adelino, sobre a bananeira e o padre da ponte, que de fato até o vigário tinha visto de longe o padre na ponte vindo do velório do Inhó Pedro a poucas noites atrás.
            Levaram o vigário pra ir ver na mesma noite as folhas espalhadas pela beira da ponte, que depois disso nunca mais apareceu padre pela ponte em luna cheia.
            Mas mesmo assim o vigário deu uma benção na ponte sob as folhas espalhadas pra garantir mesmo o fato.?
 
 
 
Gineti.. 

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