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Há quem incomoda muito pelo simples existir, fazer, ser.

  Eu me encaminhava para meu trabalho, pilotando meu velho fusca quando....
Eu me encaminhava para meu trabalho, pilotando meu velho fusca quando numa certa altura da estrada deparei-me com uma cena, comum para a região, mas em função de um problema vivido por mim, no dia anterior em sala de aula com uma determinada turma, tornou-se interessante, levando-me diretamente a uma reflexão.  Desta experiência nada agradável para um educador “paulofreiriano”,  afluiu-me algumas frases de efeito que ficaram  pulsando em meu cérebro, a saber:
“enquanto a caravana passa os cães ladram”;
“os homens passam enquanto que as instituições ficam”;  
“nada como um dia atrás do doutro”;
“há pessoas que incomodam muito, enquanto outras passam despercebidas dos demais. Logo estou incomodando deveras”;
Vamos aos fatos:
1º fato
Já avançávamos o segundo bimestre do ano letivo (2001) e não havia encontrado um ponto em comum com a referida turma. A indiferença da turma quase como um todo pelas aulas, pelas propostas de trabalho me incomodava. Ciente do meu papel de educador vinha fazendo várias provocações visando suscitar na turma uma abertura para que as aulas fluíssem melhor. Ante a antipatia da mesma, propus então uma avaliação oral, ocasião em que cada aluno teria de se posicionar avaliando: o profissional, as propostas de trabalho e a si enquanto aluno num processo de aprendizagem. E finalmente o quanto as aulas estavam ou não interessante com uma sugestão. 
Então, provocados a pensarem em conjunto e individualmente ao mesmo tempo, formou-se uma turba tão grande e atiravam contra mim tantas pedras que num determinado momento, me levantei da mesa  e de cabeça altiva pus a ouvir, apenas ouvir os insultos, as bravatas, como se nada ouvisse e ao mesmo tempo buscando encontrar o fio da meada.  Depois de tantas pedradas, a meu ver sem nenhuma razão, porque estava lutando com titãs da brutalidade reinante, apenas isto, uma determinada aluna do fundão, acreditando melhor representar a turma agrediu-me verbalmente descendo mais na escala da humilhação. Neste momento, ante a tanta arrogância, tanta petulância numa só pessoa, forcei minha aterrizagem espiritual na sala novamente e dirigi meu olhar fixamente para ela. No instante que a mesma sentiu a gravidade do meu olhar imediatamente,  recolhendo seu veneno  terminou sua exposição assim: não, não, nada contra muito pelo contrário, desculpe, nada  pessoal.
Estabelecido o silêncio deram-se conta de que haviam ido muito longe.  Procurei lhes mostrar as contradições entre as falas e os comportamentos e dei por encerrado o assunto.  Saí dali com duas frases imbricando em meu cérebro: “as pessoas passam, mas a instituição continua”. A outra foi:  “enquanto a caravana passa, os cães ladram”. Saí da sala de aula, (foi a última do dia) com um peso a mais e um profundo sentimento de comiseração por minha indefesa pessoa, ali exposta gratuitamente e um sentimento de ódio daqueles espécimes animais racionais e muito mais do sistema educacional paulista neoliberal de aprovação automática.
 
2º fato
No dia seguinte, deparo-me com uma manada de eqüinos que andava pela estrada à procura de alimento. Nas lixeiras uns roubavam os sacos de lixos com restos alimentares rasgando-os.  Outros saboreavam os punhadinhos de capim nascidos rente ao meio fio e a calçada enquanto outros seguiam preguiçosamente pelo meio da estrada.  A certa distância dos eqüinos alguns cães  ladravam, numa ação de tirá-los da área. Os outros cães presos nos quintais também faziam seus alaridos. Sendo impossível ultrapassá-los imediatamente diminuí  a marcha do veículo e pus-me a observar a cena. Nisto um cão mais ousado, pulou o muro de uma casa, seu abrigo e num arroubo de intimidação aos eqüinos, talvez confiando em seu porte físico, se aproximou demasiadamente dos eqüinos intimando-os a dar o fora mais rápido possível. No embalo do pulo e ladrando de tão perto assim chamou a atenção de um dos eqüinos que levantou a cabeça, parou sua marcha e virando-se abaixou e foi de encontro com o referido cão ameaçador. Qual foi a surpresa: assustado, o cão  que não contava com aquela reação, literalmente voou de volta sobre o muro indo esconder-se no seu abrigo, destituído da ousadia e petulância e sem mais ladrar como antes. Tive vontade de rir da cena patética tão real aos meus olhos. Mas não pude. Fui transportado imediatamente para a cena da sala de aula.
Sem nenhuma intenção de tratar tais fatos como semelhantes entre si, encontrei ali a explicação do que vivi no a noite anterior.  Aliás, já estávamos no segundo bimestre. Meu trabalho de arte educador/filósofo estava invadindo o espaço dos “eus” daqueles alunos que preferiam ficar na sombra do faz-de-conta sem que lhes fossem imputado culpabilidade alguma pelo insucesso das aulas, ou que tivessem de pensar sobre isto.  E quer saber do resto? Foi assim o ano todo, no máximo consegui aproximar de duas alunas que eram vendedoras. Se houve melhora das relações foi para não saírem prejudicados como que inimigos do professor.
 
Conclusão
 
Finalizo afirmando que uma escola é como espelho, reflete a imagem de quem a administra.  Uma direção que não se importa com nada, forma alunos que também não se importavam com nada, digo nada no sentido de  educação, formação, porque eram capazes de uma briga interminável para defender o nada, o pouco caso, o faz de conta.
A experiência de ter trabalhado nesta escola custou-me um preço elevadíssimo, porque acabei por enfrentar, diretora, coordenadoras, supervisão e dirigente, pois senso incapaz de conviver com experiências dolorosas de uso das funções públicas para proveito próprio em detrimento dos verdadeiro interesses alheios acabei por formalizar um documento  denunciador das mazelas da direção da escola que culminou com a afastamento da mesma.Eu me encaminhava para meu trabalho, pilotando meu velho fusca quando....
Eu me encaminhava para meu trabalho, pilotando meu velho fusca quando numa certa altura da estrada deparei-me com uma cena, comum para a região, mas em função de um problema vivido por mim, no dia anterior em sala de aula com uma determinada turma, tornou-se interessante, levando-me diretamente a uma reflexão.  Desta experiência nada agradável para um educador “paulofreiriano”,  afluiu-me algumas frases de efeito que ficaram  pulsando em meu cérebro, a saber:
“enquanto a caravana passa os cães ladram”;
“os homens passam enquanto que as instituições ficam”;  
“nada como um dia atrás do doutro”;
“há pessoas que incomodam muito, enquanto outras passam despercebidas dos demais. Logo estou incomodando deveras”;
Vamos aos fatos:
1º fato
Já avançávamos o segundo bimestre do ano letivo (2001) e não havia encontrado um ponto em comum com a referida turma. A indiferença da turma quase como um todo pelas aulas, pelas propostas de trabalho me incomodava. Ciente do meu papel de educador vinha fazendo várias provocações visando suscitar na turma uma abertura para que as aulas fluíssem melhor. Ante a antipatia da mesma, propus então uma avaliação oral, ocasião em que cada aluno teria de se posicionar avaliando: o profissional, as propostas de trabalho e a si enquanto aluno num processo de aprendizagem. E finalmente o quanto as aulas estavam ou não interessante com uma sugestão. 
Então, provocados a pensarem em conjunto e individualmente ao mesmo tempo, formou-se uma turba tão grande e atiravam contra mim tantas pedras que num determinado momento, me levantei da mesa  e de cabeça altiva pus a ouvir, apenas ouvir os insultos, as bravatas, como se nada ouvisse e ao mesmo tempo buscando encontrar o fio da meada.  Depois de tantas pedradas, a meu ver sem nenhuma razão, porque estava lutando com titãs da brutalidade reinante, apenas isto, uma determinada aluna do fundão, acreditando melhor representar a turma agrediu-me verbalmente descendo mais na escala da humilhação. Neste momento, ante a tanta arrogância, tanta petulância numa só pessoa, forcei minha aterrizagem espiritual na sala novamente e dirigi meu olhar fixamente para ela. No instante que a mesma sentiu a gravidade do meu olhar imediatamente,  recolhendo seu veneno  terminou sua exposição assim: não, não, nada contra muito pelo contrário, desculpe, nada  pessoal.
Estabelecido o silêncio deram-se conta de que haviam ido muito longe.  Procurei lhes mostrar as contradições entre as falas e os comportamentos e dei por encerrado o assunto.  Saí dali com duas frases imbricando em meu cérebro: “as pessoas passam, mas a instituição continua”. A outra foi:  “enquanto a caravana passa, os cães ladram”. Saí da sala de aula, (foi a última do dia) com um peso a mais e um profundo sentimento de comiseração por minha indefesa pessoa, ali exposta gratuitamente e um sentimento de ódio daqueles espécimes animais racionais e muito mais do sistema educacional paulista neoliberal de aprovação automática.
 
2º fato
No dia seguinte, deparo-me com uma manada de eqüinos que andava pela estrada à procura de alimento. Nas lixeiras uns roubavam os sacos de lixos com restos alimentares rasgando-os.  Outros saboreavam os punhadinhos de capim nascidos rente ao meio fio e a calçada enquanto outros seguiam preguiçosamente pelo meio da estrada.  A certa distância dos eqüinos alguns cães  ladravam, numa ação de tirá-los da área. Os outros cães presos nos quintais também faziam seus alaridos. Sendo impossível ultrapassá-los imediatamente diminuí  a marcha do veículo e pus-me a observar a cena. Nisto um cão mais ousado, pulou o muro de uma casa, seu abrigo e num arroubo de intimidação aos eqüinos, talvez confiando em seu porte físico, se aproximou demasiadamente dos eqüinos intimando-os a dar o fora mais rápido possível. No embalo do pulo e ladrando de tão perto assim chamou a atenção de um dos eqüinos que levantou a cabeça, parou sua marcha e virando-se abaixou e foi de encontro com o referido cão ameaçador. Qual foi a surpresa: assustado, o cão  que não contava com aquela reação, literalmente voou de volta sobre o muro indo esconder-se no seu abrigo, destituído da ousadia e petulância e sem mais ladrar como antes. Tive vontade de rir da cena patética tão real aos meus olhos. Mas não pude. Fui transportado imediatamente para a cena da sala de aula.
Sem nenhuma intenção de tratar tais fatos como semelhantes entre si, encontrei ali a explicação do que vivi no a noite anterior.  Aliás, já estávamos no segundo bimestre. Meu trabalho de arte educador/filósofo estava invadindo o espaço dos “eus” daqueles alunos que preferiam ficar na sombra do faz-de-conta sem que lhes fossem imputado culpabilidade alguma pelo insucesso das aulas, ou que tivessem de pensar sobre isto.  E quer saber do resto? Foi assim o ano todo, no máximo consegui aproximar de duas alunas que eram vendedoras. Se houve melhora das relações foi para não saírem prejudicados como que inimigos do professor.
 
Conclusão
 
Finalizo afirmando que uma escola é como espelho, reflete a imagem de quem a administra.  Uma direção que não se importa com nada, forma alunos que também não se importavam com nada, digo nada no sentido de  educação, formação, porque eram capazes de uma briga interminável para defender o nada, o pouco caso, o faz de conta.
A experiência de ter trabalhado nesta escola custou-me um preço elevadíssimo, porque acabei por enfrentar, diretora, coordenadoras, supervisão e dirigente, pois senso incapaz de conviver com experiências dolorosas de uso das funções públicas para proveito próprio em detrimento dos verdadeiro interesses alheios acabei por formalizar um documento  denunciador das mazelas da direção da escola que culminou com a afastamento da mesma.Eu me encaminhava para meu trabalho, pilotando meu velho fusca quando....
Eu me encaminhava para meu trabalho, pilotando meu velho fusca quando numa certa altura da estrada deparei-me com uma cena, comum para a região, mas em função de um problema vivido por mim, no dia anterior em sala de aula com uma determinada turma, tornou-se interessante, levando-me diretamente a uma reflexão.  Desta experiência nada agradável para um educador “paulofreiriano”,  afluiu-me algumas frases de efeito que ficaram  pulsando em meu cérebro, a saber:
“enquanto a caravana passa os cães ladram”;
“os homens passam enquanto que as instituições ficam”;  
“nada como um dia atrás do doutro”;
“há pessoas que incomodam muito, enquanto outras passam despercebidas dos demais. Logo estou incomodando deveras”;
Vamos aos fatos:
1º fato
Já avançávamos o segundo bimestre do ano letivo (2001) e não havia encontrado um ponto em comum com a referida turma. A indiferença da turma quase como um todo pelas aulas, pelas propostas de trabalho me incomodava. Ciente do meu papel de educador vinha fazendo várias provocações visando suscitar na turma uma abertura para que as aulas fluíssem melhor. Ante a antipatia da mesma, propus então uma avaliação oral, ocasião em que cada aluno teria de se posicionar avaliando: o profissional, as propostas de trabalho e a si enquanto aluno num processo de aprendizagem. E finalmente o quanto as aulas estavam ou não interessante com uma sugestão. 
Então, provocados a pensarem em conjunto e individualmente ao mesmo tempo, formou-se uma turba tão grande e atiravam contra mim tantas pedras que num determinado momento, me levantei da mesa  e de cabeça altiva pus a ouvir, apenas ouvir os insultos, as bravatas, como se nada ouvisse e ao mesmo tempo buscando encontrar o fio da meada.  Depois de tantas pedradas, a meu ver sem nenhuma razão, porque estava lutando com titãs da brutalidade reinante, apenas isto, uma determinada aluna do fundão, acreditando melhor representar a turma agrediu-me verbalmente descendo mais na escala da humilhação. Neste momento, ante a tanta arrogância, tanta petulância numa só pessoa, forcei minha aterrizagem espiritual na sala novamente e dirigi meu olhar fixamente para ela. No instante que a mesma sentiu a gravidade do meu olhar imediatamente,  recolhendo seu veneno  terminou sua exposição assim: não, não, nada contra muito pelo contrário, desculpe, nada  pessoal.
Estabelecido o silêncio deram-se conta de que haviam ido muito longe.  Procurei lhes mostrar as contradições entre as falas e os comportamentos e dei por encerrado o assunto.  Saí dali com duas frases imbricando em meu cérebro: “as pessoas passam, mas a instituição continua”. A outra foi:  “enquanto a caravana passa, os cães ladram”. Saí da sala de aula, (foi a última do dia) com um peso a mais e um profundo sentimento de comiseração por minha indefesa pessoa, ali exposta gratuitamente e um sentimento de ódio daqueles espécimes animais racionais e muito mais do sistema educacional paulista neoliberal de aprovação automática.
 
2º fato
No dia seguinte, deparo-me com uma manada de eqüinos que andava pela estrada à procura de alimento. Nas lixeiras uns roubavam os sacos de lixos com restos alimentares rasgando-os.  Outros saboreavam os punhadinhos de capim nascidos rente ao meio fio e a calçada enquanto outros seguiam preguiçosamente pelo meio da estrada.  A certa distância dos eqüinos alguns cães  ladravam, numa ação de tirá-los da área. Os outros cães presos nos quintais também faziam seus alaridos. Sendo impossível ultrapassá-los imediatamente diminuí  a marcha do veículo e pus-me a observar a cena. Nisto um cão mais ousado, pulou o muro de uma casa, seu abrigo e num arroubo de intimidação aos eqüinos, talvez confiando em seu porte físico, se aproximou demasiadamente dos eqüinos intimando-os a dar o fora mais rápido possível. No embalo do pulo e ladrando de tão perto assim chamou a atenção de um dos eqüinos que levantou a cabeça, parou sua marcha e virando-se abaixou e foi de encontro com o referido cão ameaçador. Qual foi a surpresa: assustado, o cão  que não contava com aquela reação, literalmente voou de volta sobre o muro indo esconder-se no seu abrigo, destituído da ousadia e petulância e sem mais ladrar como antes. Tive vontade de rir da cena patética tão real aos meus olhos. Mas não pude. Fui transportado imediatamente para a cena da sala de aula.
Sem nenhuma intenção de tratar tais fatos como semelhantes entre si, encontrei ali a explicação do que vivi no a noite anterior.  Aliás, já estávamos no segundo bimestre. Meu trabalho de arte educador/filósofo estava invadindo o espaço dos “eus” daqueles alunos que preferiam ficar na sombra do faz-de-conta sem que lhes fossem imputado culpabilidade alguma pelo insucesso das aulas, ou que tivessem de pensar sobre isto.  E quer saber do resto? Foi assim o ano todo, no máximo consegui aproximar de duas alunas que eram vendedoras. Se houve melhora das relações foi para não saírem prejudicados como que inimigos do professor.
 
Conclusão
 
Finalizo afirmando que uma escola é como espelho, reflete a imagem de quem a administra.  Uma direção que não se importa com nada, forma alunos que também não se importavam com nada, digo nada no sentido de  educação, formação, porque eram capazes de uma briga interminável para defender o nada, o pouco caso, o faz de conta.
A experiência de ter trabalhado nesta escola custou-me um preço elevadíssimo, porque acabei por enfrentar, diretora, coordenadoras, supervisão e dirigente, pois senso incapaz de conviver com experiências dolorosas de uso das funções públicas para proveito próprio em detrimento dos verdadeiro interesses alheios acabei por formalizar um documento  denunciador das mazelas da direção da escola que culminou com a afastamento da mesma.Eu me encaminhava para meu trabalho, pilotando meu velho fusca quando....
Eu me encaminhava para meu trabalho, pilotando meu velho fusca quando numa certa altura da estrada deparei-me com uma cena, comum para a região, mas em função de um problema vivido por mim, no dia anterior em sala de aula com uma determinada turma, tornou-se interessante, levando-me diretamente a uma reflexão.  Desta experiência nada agradável para um educador “paulofreiriano”,  afluiu-me algumas frases de efeito que ficaram  pulsando em meu cérebro, a saber:
“enquanto a caravana passa os cães ladram”;
“os homens passam enquanto que as instituições ficam”;  
“nada como um dia atrás do doutro”;
“há pessoas que incomodam muito, enquanto outras passam despercebidas dos demais. Logo estou incomodando deveras”;
Vamos aos fatos:
1º fato
Já avançávamos o segundo bimestre do ano letivo (2001) e não havia encontrado um ponto em comum com a referida turma. A indiferença da turma quase como um todo pelas aulas, pelas propostas de trabalho me incomodava. Ciente do meu papel de educador vinha fazendo várias provocações visando suscitar na turma uma abertura para que as aulas fluíssem melhor. Ante a antipatia da mesma, propus então uma avaliação oral, ocasião em que cada aluno teria de se posicionar avaliando: o profissional, as propostas de trabalho e a si enquanto aluno num processo de aprendizagem. E finalmente o quanto as aulas estavam ou não interessante com uma sugestão. 
Então, provocados a pensarem em conjunto e individualmente ao mesmo tempo, formou-se uma turba tão grande e atiravam contra mim tantas pedras que num determinado momento, me levantei da mesa  e de cabeça altiva pus a ouvir, apenas ouvir os insultos, as bravatas, como se nada ouvisse e ao mesmo tempo buscando encontrar o fio da meada.  Depois de tantas pedradas, a meu ver sem nenhuma razão, porque estava lutando com titãs da brutalidade reinante, apenas isto, uma determinada aluna do fundão, acreditando melhor representar a turma agrediu-me verbalmente descendo mais na escala da humilhação. Neste momento, ante a tanta arrogância, tanta petulância numa só pessoa, forcei minha aterrizagem espiritual na sala novamente e dirigi meu olhar fixamente para ela. No instante que a mesma sentiu a gravidade do meu olhar imediatamente,  recolhendo seu veneno  terminou sua exposição assim: não, não, nada contra muito pelo contrário, desculpe, nada  pessoal.
Estabelecido o silêncio deram-se conta de que haviam ido muito longe.  Procurei lhes mostrar as contradições entre as falas e os comportamentos e dei por encerrado o assunto.  Saí dali com duas frases imbricando em meu cérebro: “as pessoas passam, mas a instituição continua”. A outra foi:  “enquanto a caravana passa, os cães ladram”. Saí da sala de aula, (foi a última do dia) com um peso a mais e um profundo sentimento de comiseração por minha indefesa pessoa, ali exposta gratuitamente e um sentimento de ódio daqueles espécimes animais racionais e muito mais do sistema educacional paulista neoliberal de aprovação automática.
 
2º fato
No dia seguinte, deparo-me com uma manada de eqüinos que andava pela estrada à procura de alimento. Nas lixeiras uns roubavam os sacos de lixos com restos alimentares rasgando-os.  Outros saboreavam os punhadinhos de capim nascidos rente ao meio fio e a calçada enquanto outros seguiam preguiçosamente pelo meio da estrada.  A certa distância dos eqüinos alguns cães  ladravam, numa ação de tirá-los da área. Os outros cães presos nos quintais também faziam seus alaridos. Sendo impossível ultrapassá-los imediatamente diminuí  a marcha do veículo e pus-me a observar a cena. Nisto um cão mais ousado, pulou o muro de uma casa, seu abrigo e num arroubo de intimidação aos eqüinos, talvez confiando em seu porte físico, se aproximou demasiadamente dos eqüinos intimando-os a dar o fora mais rápido possível. No embalo do pulo e ladrando de tão perto assim chamou a atenção de um dos eqüinos que levantou a cabeça, parou sua marcha e virando-se abaixou e foi de encontro com o referido cão ameaçador. Qual foi a surpresa: assustado, o cão  que não contava com aquela reação, literalmente voou de volta sobre o muro indo esconder-se no seu abrigo, destituído da ousadia e petulância e sem mais ladrar como antes. Tive vontade de rir da cena patética tão real aos meus olhos. Mas não pude. Fui transportado imediatamente para a cena da sala de aula.
Sem nenhuma intenção de tratar tais fatos como semelhantes entre si, encontrei ali a explicação do que vivi no a noite anterior.  Aliás, já estávamos no segundo bimestre. Meu trabalho de arte educador/filósofo estava invadindo o espaço dos “eus” daqueles alunos que preferiam ficar na sombra do faz-de-conta sem que lhes fossem imputado culpabilidade alguma pelo insucesso das aulas, ou que tivessem de pensar sobre isto.  E quer saber do resto? Foi assim o ano todo, no máximo consegui aproximar de duas alunas que eram vendedoras. Se houve melhora das relações foi para não saírem prejudicados como que inimigos do professor.
 
Conclusão
 
Finalizo afirmando que uma escola é como espelho, reflete a imagem de quem a administra.  Uma direção que não se importa com nada, forma alunos que também não se importavam com nada, digo nada no sentido de  educação, formação, porque eram capazes de uma briga interminável para defender o nada, o pouco caso, o faz de conta.
A experiência de ter trabalhado nesta escola custou-me um preço elevadíssimo, porque acabei por enfrentar, diretora, coordenadoras, supervisão e dirigente, pois senso incapaz de conviver com experiências dolorosas de uso das funções públicas para proveito próprio em detrimento dos verdadeiro interesses alheios acabei por formalizar um documento  denunciador das mazelas da direção da escola que culminou com a afastamento da mesma.Eu me encaminhava para meu trabalho, pilotando meu velho fusca quando....
Eu me encaminhava para meu trabalho, pilotando meu velho fusca quando numa certa altura da estrada deparei-me com uma cena, comum para a região, mas em função de um problema vivido por mim, no dia anterior em sala de aula com uma determinada turma, tornou-se interessante, levando-me diretamente a uma reflexão.  Desta experiência nada agradável para um educador “paulofreiriano”,  afluiu-me algumas frases de efeito que ficaram  pulsando em meu cérebro, a saber:
“enquanto a caravana passa os cães ladram”;
“os homens passam enquanto que as instituições ficam”;  
“nada como um dia atrás do doutro”;
“há pessoas que incomodam muito, enquanto outras passam despercebidas dos demais. Logo estou incomodando deveras”;
Vamos aos fatos:
1º fato
Já avançávamos o segundo bimestre do ano letivo (2001) e não havia encontrado um ponto em comum com a referida turma. A indiferença da turma quase como um todo pelas aulas, pelas propostas de trabalho me incomodava. Ciente do meu papel de educador vinha fazendo várias provocações visando suscitar na turma uma abertura para que as aulas fluíssem melhor. Ante a antipatia da mesma, propus então uma avaliação oral, ocasião em que cada aluno teria de se posicionar avaliando: o profissional, as propostas de trabalho e a si enquanto aluno num processo de aprendizagem. E finalmente o quanto as aulas estavam ou não interessante com uma sugestão. 
Então, provocados a pensarem em conjunto e individualmente ao mesmo tempo, formou-se uma turba tão grande e atiravam contra mim tantas pedras que num determinado momento, me levantei da mesa  e de cabeça altiva pus a ouvir, apenas ouvir os insultos, as bravatas, como se nada ouvisse e ao mesmo tempo buscando encontrar o fio da meada.  Depois de tantas pedradas, a meu ver sem nenhuma razão, porque estava lutando com titãs da brutalidade reinante, apenas isto, uma determinada aluna do fundão, acreditando melhor representar a turma agrediu-me verbalmente descendo mais na escala da humilhação. Neste momento, ante a tanta arrogância, tanta petulância numa só pessoa, forcei minha aterrizagem espiritual na sala novamente e dirigi meu olhar fixamente para ela. No instante que a mesma sentiu a gravidade do meu olhar imediatamente,  recolhendo seu veneno  terminou sua exposição assim: não, não, nada contra muito pelo contrário, desculpe, nada  pessoal.
Estabelecido o silêncio deram-se conta de que haviam ido muito longe.  Procurei lhes mostrar as contradições entre as falas e os comportamentos e dei por encerrado o assunto.  Saí dali com duas frases imbricando em meu cérebro: “as pessoas passam, mas a instituição continua”. A outra foi:  “enquanto a caravana passa, os cães ladram”. Saí da sala de aula, (foi a última do dia) com um peso a mais e um profundo sentimento de comiseração por minha indefesa pessoa, ali exposta gratuitamente e um sentimento de ódio daqueles espécimes animais racionais e muito mais do sistema educacional paulista neoliberal de aprovação automática.
 
2º fato
No dia seguinte, deparo-me com uma manada de eqüinos que andava pela estrada à procura de alimento. Nas lixeiras uns roubavam os sacos de lixos com restos alimentares rasgando-os.  Outros saboreavam os punhadinhos de capim nascidos rente ao meio fio e a calçada enquanto outros seguiam preguiçosamente pelo meio da estrada.  A certa distância dos eqüinos alguns cães  ladravam, numa ação de tirá-los da área. Os outros cães presos nos quintais também faziam seus alaridos. Sendo impossível ultrapassá-los imediatamente diminuí  a marcha do veículo e pus-me a observar a cena. Nisto um cão mais ousado, pulou o muro de uma casa, seu abrigo e num arroubo de intimidação aos eqüinos, talvez confiando em seu porte físico, se aproximou demasiadamente dos eqüinos intimando-os a dar o fora mais rápido possível. No embalo do pulo e ladrando de tão perto assim chamou a atenção de um dos eqüinos que levantou a cabeça, parou sua marcha e virando-se abaixou e foi de encontro com o referido cão ameaçador. Qual foi a surpresa: assustado, o cão  que não contava com aquela reação, literalmente voou de volta sobre o muro indo esconder-se no seu abrigo, destituído da ousadia e petulância e sem mais ladrar como antes. Tive vontade de rir da cena patética tão real aos meus olhos. Mas não pude. Fui transportado imediatamente para a cena da sala de aula.
Sem nenhuma intenção de tratar tais fatos como semelhantes entre si, encontrei ali a explicação do que vivi no a noite anterior.  Aliás, já estávamos no segundo bimestre. Meu trabalho de arte educador/filósofo estava invadindo o espaço dos “eus” daqueles alunos que preferiam ficar na sombra do faz-de-conta sem que lhes fossem imputado culpabilidade alguma pelo insucesso das aulas, ou que tivessem de pensar sobre isto.  E quer saber do resto? Foi assim o ano todo, no máximo consegui aproximar de duas alunas que eram vendedoras. Se houve melhora das relações foi para não saírem prejudicados como que inimigos do professor.
 
Conclusão
 
Finalizo afirmando que uma escola é como espelho, reflete a imagem de quem a administra.  Uma direção que não se importa com nada, forma alunos que também não se importavam com nada, digo nada no sentido de  educação, formação, porque eram capazes de uma briga interminável para defender o nada, o pouco caso, o faz de conta.
A experiência de ter trabalhado nesta escola custou-me um preço elevadíssimo, porque acabei por enfrentar, diretora, coordenadoras, supervisão e dirigente, pois senso incapaz de conviver com experiências dolorosas de uso das funções públicas para proveito próprio em detrimento dos verdadeiro interesses alheios acabei por formalizar um documento  denunciador das mazelas da direção da escola que culminou com a afastamento da mesma.Eu me encaminhava para meu trabalho, pilotando meu velho fusca quando....
Eu me encaminhava para meu trabalho, pilotando meu velho fusca quando numa certa altura da estrada deparei-me com uma cena, comum para a região, mas em função de um problema vivido por mim, no dia anterior em sala de aula com uma determinada turma, tornou-se interessante, levando-me diretamente a uma reflexão.  Desta experiência nada agradável para um educador “paulofreiriano”,  afluiu-me algumas frases de efeito que ficaram  pulsando em meu cérebro, a saber:
“enquanto a caravana passa os cães ladram”;
“os homens passam enquanto que as instituições ficam”;  
“nada como um dia atrás do doutro”;
“há pessoas que incomodam muito, enquanto outras passam despercebidas dos demais. Logo estou incomodando deveras”;
Vamos aos fatos:
1º fato
Já avançávamos o segundo bimestre do ano letivo (2001) e não havia encontrado um ponto em comum com a referida turma. A indiferença da turma quase como um todo pelas aulas, pelas propostas de trabalho me incomodava. Ciente do meu papel de educador vinha fazendo várias provocações visando suscitar na turma uma abertura para que as aulas fluíssem melhor. Ante a antipatia da mesma, propus então uma avaliação oral, ocasião em que cada aluno teria de se posicionar avaliando: o profissional, as propostas de trabalho e a si enquanto aluno num processo de aprendizagem. E finalmente o quanto as aulas estavam ou não interessante com uma sugestão. 
Então, provocados a pensarem em conjunto e individualmente ao mesmo tempo, formou-se uma turba tão grande e atiravam contra mim tantas pedras que num determinado momento, me levantei da mesa  e de cabeça altiva pus a ouvir, apenas ouvir os insultos, as bravatas, como se nada ouvisse e ao mesmo tempo buscando encontrar o fio da meada.  Depois de tantas pedradas, a meu ver sem nenhuma razão, porque estava lutando com titãs da brutalidade reinante, apenas isto, uma determinada aluna do fundão, acreditando melhor representar a turma agrediu-me verbalmente descendo mais na escala da humilhação. Neste momento, ante a tanta arrogância, tanta petulância numa só pessoa, forcei minha aterrizagem espiritual na sala novamente e dirigi meu olhar fixamente para ela. No instante que a mesma sentiu a gravidade do meu olhar imediatamente,  recolhendo seu veneno  terminou sua exposição assim: não, não, nada contra muito pelo contrário, desculpe, nada  pessoal.
Estabelecido o silêncio deram-se conta de que haviam ido muito longe.  Procurei lhes mostrar as contradições entre as falas e os comportamentos e dei por encerrado o assunto.  Saí dali com duas frases imbricando em meu cérebro: “as pessoas passam, mas a instituição continua”. A outra foi:  “enquanto a caravana passa, os cães ladram”. Saí da sala de aula, (foi a última do dia) com um peso a mais e um profundo sentimento de comiseração por minha indefesa pessoa, ali exposta gratuitamente e um sentimento de ódio daqueles espécimes animais racionais e muito mais do sistema educacional paulista neoliberal de aprovação automática.
 
2º fato
No dia seguinte, deparo-me com uma manada de eqüinos que andava pela estrada à procura de alimento. Nas lixeiras uns roubavam os sacos de lixos com restos alimentares rasgando-os.  Outros saboreavam os punhadinhos de capim nascidos rente ao meio fio e a calçada enquanto outros seguiam preguiçosamente pelo meio da estrada.  A certa distância dos eqüinos alguns cães  ladravam, numa ação de tirá-los da área. Os outros cães presos nos quintais também faziam seus alaridos. Sendo impossível ultrapassá-los imediatamente diminuí  a marcha do veículo e pus-me a observar a cena. Nisto um cão mais ousado, pulou o muro de uma casa, seu abrigo e num arroubo de intimidação aos eqüinos, talvez confiando em seu porte físico, se aproximou demasiadamente dos eqüinos intimando-os a dar o fora mais rápido possível. No embalo do pulo e ladrando de tão perto assim chamou a atenção de um dos eqüinos que levantou a cabeça, parou sua marcha e virando-se abaixou e foi de encontro com o referido cão ameaçador. Qual foi a surpresa: assustado, o cão  que não contava com aquela reação, literalmente voou de volta sobre o muro indo esconder-se no seu abrigo, destituído da ousadia e petulância e sem mais ladrar como antes. Tive vontade de rir da cena patética tão real aos meus olhos. Mas não pude. Fui transportado imediatamente para a cena da sala de aula.
Sem nenhuma intenção de tratar tais fatos como semelhantes entre si, encontrei ali a explicação do que vivi no a noite anterior.  Aliás, já estávamos no segundo bimestre. Meu trabalho de arte educador/filósofo estava invadindo o espaço dos “eus” daqueles alunos que preferiam ficar na sombra do faz-de-conta sem que lhes fossem imputado culpabilidade alguma pelo insucesso das aulas, ou que tivessem de pensar sobre isto.  E quer saber do resto? Foi assim o ano todo, no máximo consegui aproximar de duas alunas que eram vendedoras. Se houve melhora das relações foi para não saírem prejudicados como que inimigos do professor.
 
Conclusão
 
Finalizo afirmando que uma escola é como espelho, reflete a imagem de quem a administra.  Uma direção que não se importa com nada, forma alunos que também não se importavam com nada, digo nada no sentido de  educação, formação, porque eram capazes de uma briga interminável para defender o nada, o pouco caso, o faz de conta.
A experiência de ter trabalhado nesta escola custou-me um preço elevadíssimo, porque acabei por enfrentar, diretora, coordenadoras, supervisão e dirigente, pois senso incapaz de conviver com experiências dolorosas de uso das funções públicas para proveito próprio em detrimento dos verdadeiro interesses alheios acabei por formalizar um documento  denunciador das mazelas da direção da escola que culminou com a afastamento da mesma. 

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