Diovane Avelino de Souza Silva






Premonição


Em dias de tempestades é simples prever o comportamento dos outros
Pegam-se tapadores de chuva e se esforçam para se manterem secos
Mas há os que arrumam seus ninhos e entretem-se ante aos espetáculos do cotidiano
Comendo suas angústias e bebendo suas ansiedades, ou simplesmente matando o tempo
Vestidos com elegância inexistente há os que desfilam em passarelas curtas
Imaginárias e reais em suas mentes cansadas dos pingos insistentes, simples insistentes
 Deixando para trás o desejo de viver outra situação, outro momento
Achar uma maneira de mudar é cansativo demais, é penoso demais
Preferem machucar a si próprios a andarem milhas de felicidade
E os amigos vão até o fim de uma paranoia conquistada em padrão
O desimportante legitimado domingo é extenso em dias de tempestades
Pois quase todos estão ao redor dos falsos próprios livres comportamentos
E os tapadores são imponentes armaduras, algo que nos norteia para o abrigo
Estabelecido como alcovas de amores, de algazarras ou de descanso demasiado
Onde os sentimentos se inundam pelo excesso de tempestade comportamental
Clímax de humanidade apaziguada e excelso de animalidade cruel e irrestrita
Talvez por não sentirmos as milhas e as pedras em nossos pés
Porque a preocupação está apenas em nos mantermos secos
Comer, beber, conversar e transar com prazer programado
Com ilusórias sensações que fazem do homem um homem e da mulher uma frustração
Pois em dias de tempestades é simples prever o comportamento dos outros
Que não o nosso mesmo, talvez por se lembrar de outrem demasiado
Em perguntas pilhéricas e estúpidas como o sentido do gozo ou de toda felicidade corrente
Córregos de lástimas insignificantes projetadas em anedotas e dramas cotidianos
Sem perspicácia e sagacidade coerentes ou sem ousadia que nos provem o existir
Ou um pouco de compaixão pela água que cai sem testemunha
E você pode sentir o pingo da chuva, desde que ao sair apressadamente do banco
Ou de uma farmácia em que foi comprar o bem-estar
Ou ainda do supermercado onde intencionou curtir a casa, a família e a preguiça
E os amigos vão até o fim em incentivo à paranoia conquistada
Em foco o desaparecimento da solidão e do pensar intensivo
Porque a chuva cai para que possamos repousar nossos cérebros quase carcomidos
Pelo estresse e a rapidez inexistente de nossas vidas secas e vazias
Ou de nossas vidas repletas de falsas alegrias e iluminadas pelo ego
E qualquer que seja a preferência só resta a evidência de que
Em dias de tempestades é simples prever o comportamento dos outros
 
 
 
 
 

CopyRight © Cepedê Sistemas & WebSites - Comércio eletrônico.