anonimo da silva






ARDENDO

A voz forte de Angela Ro Ro entoa fogueira e faz o seu coração pulsar mais forte.

A letra o remete ao seu momento presente. A mão estica em direção ao telefone. Recua.

O peito dói, dói muito. Sangra de amor e de vergonha pela sua covardia,pelo seu medo.

O brilho nos olhos não é mais de alegria e esperança; é de lagrimas e do reflexo do estilete depositado sobre a mesa.

Angela prossegue

“Porque temer a minha fêmea?
Se a possuis como ninguém
A cada bem do mal do amor em mim
Não penses ter a vida inteira
Para roubar meu coração
Cada vez é a primeira
Do teu também serás ladrão”

A mão avança desta vez em direção a lamina passiva a espera de uma decisão. Recua. Estende-se ao celular. Volta.

O sono não vem. os dois Clonazepans já não são suficientes para tranquiliza-lo. O relógio marca 3.40h.

A cabeça bate, o coração pensa, a esperança se esvai, a mão avança; recua. E se houver ainda uma chance?!

...”Eu vivo a vida a vida inteira
A descobrir o que é o amor
Leve pulsar do sol a me queimar
Não penso ter a vida inteira
Pra guiar meu coração
Eu sei que a vida é passageira
E o amor que eu tenho não!”

As roupas tiradas da mala ainda estão sobre a cama. Como foi idiota. Incapaz de tomar tão Fácil decisão. Porque esperar tanto se era só dizer: amor to vindo pra ficar pra sempre. Idiota,idiota,idiota...

13 x 16 = 208 pisos compõem o seu quarto. Ele ri dela rindo dele. Chora e se alegra. Descobre que apesar de tudo ele foi feliz e isso o faz sentir um pouco de prazer.

O aparelho de exercícios é requisitado pelo corpo mas a alma permanece em busca do corpo amado. Idiota.

“Por que queimar minha fogueira?
E destruir a companheira
Por que sangrar o meu amor assim?
Não penses ter a vida inteira
Para esconder teu coração
Mas breve que o tempo passa
Vem num galope o meu perdão”

O tempo ta muito frio mas algo arde dentro dele.

Lá fora o sol começa a despontar. Toma um banho e fica imaginando o quanto seria bom se fosse a dois no novo chuveiro que acabara de instalar na casa dela. Sorri e chora.

Hora de sair um novo dia se faz presente e traz de volta a esperança da volta ou do esquecimento. O

que não pode é conviver com tanta dor. Mas durante o dia, as dores do mundo o fazem esquecer um pouco da sua própria dor.

“Deixa eu cantar
Aquela velha história, o amor
Deixa penar, a liberdade está (também) na dor”

Desce os quatorze degraus, abre o portão, acende um cigarro olha a fumaça e pensa: Idiota. Isso é a vida.

Cantarola:”Quero ofertar
A minha outra face à dor
Deixa eu sonhar com a tua outra face, amor.”
 

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