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Zallas Avlys






Um caso de pedofilia inversa

Um caso de pedofilia inversa

Nos anos em que iniciei no magistério houve um caso emblemático que dele tomei conhecimento por acaso. Foi assim:
Uma determinada aluna, naturalmente menor, foi picada pelo vírus da paixão por um determinado professor. Coisas da vida. Tinha o referido colega um quê de galã, rapaz novo, branco, barba desenhada, andava muito bem arrumado, perfumado, engenheiro de profissão e professor nas horas vagas. A menina falava tanto deste professor à sua mãe que o fato  a incomodou. Decidiu a mãe, de sua parte, conhecer o professor. Foi á escola para conhecê-lo, nas reuniões de pais e outras vezes estava sempre presente. Travado conhecimento fez amizade com o referido professor e passou a assediá-lo discretamente. Tratava-se de uma mãe novinha cuja idade não diferia muito da do professor. O galã que não era bobo em nada passou a espreitar mãe e filha, mas nunca deixou transparecer sua desconfiança. Beijinhos pra cá e pra lá, mãe e filha o viam sempre independente da escola. Amizades estabelecidas, terreno palmilhado, muitas conversas interessantes para ambas as partes, alguns cafés, bate papos legais após o período das aulas e até algumas caronas. O galã mantinha a postura e sabia que estava numa armadilha. Mas sabe como é: quem não gosta de atenção? Quem despreza carinhos, tratamento afetuoso? Quem?  O fato é que nem ela nem a filha conseguiram a despeito das tentativas e, já passado um bom tempo, mordiscar a isca, ou melhor, ambas não conseguiram a proeza de terem sido iscas para o engenheiro/professor. A magnânima mãe percebeu que havia ali um possível futuro para a filha porque além de engenheiro era homem sério, não se aventurava a ousadias outras e então passou a conceber outro plano. O jeito era garantir a filha, afinal nem sempre se tem um par assim dando sopa. Também não fluiu, porque se havia no galã engenheiro/professor algo de estranho era o de não ser gaiato de situações burlescas. Não era comprometido nem queria problemas, ainda mais com menor. Era amizade apenas, nada mais. Então surge outro plano na cabeça da magnânima mãe. Comprou ingressos para um baile grandioso da região em que estão envolvidos professores, alunos, familiares e outros e em companhia do engenheiro/professor estabeleceram-se no ambiente. Conversa vai e vem entre bebidas, petiscos e alguns passos discretos de danças, a Sra. mãe pede licença, desaparece dentre as mesas, se retira do local e deixa a filha nas mãos do engenheiro/professor. Com o desparecimento da “amiga” mãe e com o passar das horas o clima fica tenso. (Na ocasião não havia telefonia móvel e poucas famílias dispunham de linha telefônica.) Cadê sua mãe que não volta amis?  E agora o que fazer? Com quem você vai para sua casa? E seu pai, sabe que você está aqui? Ele vem te buscar que horas? Onde estará sua mãe agora? Entre três e quatro na da manhã o baile se encerra, os convidados se retiram e fica um professor e uma aluna, desacompanhados. A mãe, onde estava mesmo? Sentiu-se cansada e foi para casa dormir. Pois bem, entregue a filha na casa quase cinco da matina, o engenheiro/professor voltou para seu refúgio pessoal.
Segunda-feira a mãe da aluna ingressa com uma queixa na Delegacia de Ensino de que o professor havia violado a intimidade da sua filha, portanto um criminoso.  Agora resta fazê-lo assumí-la como sua mulher e acabou. Um angu de caroço. Havia provas de que ele havia ficado mesmo com a aluna no baile a noite toda. Muitos colegas professores, alunos e outros familiares viram e atestavam o fato. E isto não era de agora, era muito comum vê-los pela escola juntos. Qual era o problema? De fato foi ele quem a devolveu em casa de madrugada e não havia como negar. Então e daí?  Houve ou não violação? Quem cometeu que crime?
Veja até onde vai a criatividade vingativa de uma mulher ressentida? De bem com a vida e de olhos nos bens materiais do outro.  Mão no tapete e zás. Assim são as pessoas, assim são as criaturas.
Mas, afinal qual é o dito popular sobre as pessoas em sociedade: os fatos se repetem sempre e cada vez com maior requinte e crueldade, apenas em endereços diferentes.
Prof.  Zallas Avlys

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