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LEOMAR BARALDI






O PRIMEIRO DIA DE VENDAS DE UM CORRETOR FUNERÁRIO

 
 
Primeiro dia de trabalho do agente funerário. Bate na porta da sua primeira residência. Sai uma magrela, de cabelo duro, segurando uma criança no colo.
-Pois não.
-Desejamos uma longa vida para a senhora.
-Ãhn!?
-A partir de agora a senhora não tem mais aquela sensação de não ter onde cair morta. E tudo hoje em dia está pela hora da morte.
-Não estou entendendo.
-A vida é algo mesmo inexplicável. –continuava o corretor. –Vim aqui representando uma firma que não quer que a senhora morra.
-Xiiiiiii! Meu marido andou aprontando. Deixa ele chegar, aquele pau de virar-tripa. Ele vai ver com quantos paus se faz uma canoa.
-Não! Ele não tem culpa nenhuma. A vida é algo sublime.
-Já sei, o senhor está vendendo o elixir da longa vida? Olha, sei que esse negócio aí é maravilhoso, mas estou sem dinheiro, o único dinheirinho que tenho, que aquele pau-de-amarrar-jegue do meu marido deixou só dá pra comprar um repolho pro almoço e comprar fraldas pro Hércules Francisco.
-Minha senhora, não estou vendendo o elixir da longa vida. Mas eu tenho a solução para seus problemas.
-O senhor está vendendo dinamite?
-Não.
-Então, ora, o que está vendendo?
-Estou vendendo a “vida”.
-Xiiiii! Mas será o Benedito Júnior!? Não tenho dinheiro hoje, passa outro dia.
-Mas o que estou vendendo vai deixa-la mais aliviada.
-O senhor está vendendo marido!?
-Não... exatamente. Mas se um dia uma mulher vestindo uma longa túnica preta, vergando uma pesada foice nas costas passar...
-Ela passou aqui outro dia, mas não temos jardim para cuidar. Meu marido acabou comprando a foice dela. Ela disse estar numa pindaíba danada. Vendeu a foice baratinha... Meu marido acabou vendendo a foice pro pessoal do depósito de sucata, ganhou um dinheirinho, sabe... Iiiiii, meu feijão no fogo. Acho que ta queimando... Desculpa, moço, mas tenho de ir lá ver...
No primeiro dia de trabalho ele não conseguiu vender nada.

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