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LEOMAR BARALDI






UM DIA DE REI

 
 
Acordei hoje pela manhã e fui fazer normalmente a minha higiene pessoal. Imediatamente um súdito surgiu e disse-me que a mesa do café da manhã estava posta. Do jeito que eu quero?, perguntei. Sim, respondeu o lacaio.
A mesa estendia-se no amplo jardim do palácio. Uma mesa de café da manhã modesta. Pedi ao lacaio onde estava o meu mamão com açúcar. Pra se ter uma idéia do tamanho da mesa, o meu agregado teve de embarcar num avião para alcançar o outro lado da mesa e me trazer o mamão com açúcar. Perfeito, exclamei ao engolir o último naco de mamão. E a geléia? Na outra ponta da mesa. Eu pedia coisas que estavam do outro lado da mesa só pra ver a cara do lacaio.
Depois do café da manhã, fui saldar o meu povo.
Baixei um decreto que obriga todos do meu reino a comparecer todas as manhãs defronte o meu castelo, para me exaltarem.
Saí na sacada do castelo e abri os braços. Meu povo. E todos gritaram: Viva O Rei!
Mais uma vez: “Viva o Rei.” Mais uma vez: “Viva o Rei”.
E nesse reino eu mando:
-Vamos lá. Todo mundo numa perna só. Todo mundo saltando numa perna só. Isso. Agora todo mundo enfia o dedo no nariz. Seu rei ordena. Agora todo mundo com o braço dobrado imitando asas, isso. Agora batendo asas, como se fossem galinhas. Coco-déco, coco-déco, co-có-cócó! Agora todo mundo plantando bananeira. Vamos lá, é decreto, quem não fizer vai ser lançado no fosso dos crocodilos. Isso! Agora trenzinho. Vamos lá, é decreto, quem não fizer vai ser lançado no fosso dos crocodilos.  Todo mundo, com as mãos na cintura do próximo, em fila, um atrás do outro. Piuuiiiiii! Piuiiiii! Piuiuiu! Fúúúúú! Agora digam: “ Viva o Rei!
-REI MALA! REI MALA!
O que escutei? O que foi que escutei?
-REI DO BANHEIRO!
O que foi que ouvi?
Foi quando acordei sob vassouradas da minha sogra porque eu estava em cima do sofá atrapalhando a faxina.

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