Kátia Ribeiro de Oliveira






Uma Brevíssima Resenha sobre o Filme Um Lugar Qualquer


O título do filme, tanto em inglês como sua tradução para o português, retrata fielmente o roteiro do filme de Sofia Coppola.
Um ator de sucesso e milionário Johnny Marco (Stephen Dorff) que não tem um lugar para chamar de lar. Um lugar onde se sinta capaz de ser feliz. Acomodado (no melhor sentido da palavra) e à vontade com sua própria vida.
E ao final do filme, o ator (protagonista do filme) reafirma o título do filme. Ele sai a “procura” de um “lugar externo” sabendo que até então não o encontrou.
Sua vida interna favorece encontros casuais, relações superficiais, até mesmo ou principalmente, com sua filha. E uma propensão para não dialogar, mesmo as entrevistas são monossilábicas.
Como se ele tivesse perdido a fé no outro, ele mantém-se aéreo. Da aparência desleixada até o que come são escolhas impessoais.
O protagonista vive em suspenso, e só toma conhecimento de si mesmo ao telefonar para uma mulher pedindo-a para se encontrar com ele e declarando-se “um nada”. E quando pedi desculpas para a filha—ainda que continue distante da filha, literalmente e não figurativamente, sem saber se a mesma escutou-o, como se pedisse desculpas a si próprio— porém somente quando a mesma confessa-lhe que ele nunca está por perto.
O filme tem pouquíssimos diálogos e concentra sua força exatamente nisso, mostrando a falta de sintonia do personagem principal com sua própria vida—que não é explicada propositadamente. Deixando-nos, assim como ele, também sem sintonia, no nosso caso, com o personagem. Dando a sensação de que tanto ele como nós, assistimos o filme ou a vida passarem. Adormecidos e esperando pela mudança.
 Falta-lhe derramamento emocional para construir um lugar que não seja qualquer um.

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