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Izabel da Rosa Correa






Reverso


Surge um verso.
Dorido, urgente, rasga a carne.
Dor de parto.

É tão inquieta a idéia,
nasceu completa.
Filha ilegítima,
não a gerei.
Emendo os fios do pensamento.
O pássaro,
o canto,
o vento,
os olhos negros do animal.
Onde brotou a poesia?

Salgada a boca,
olhar terno de mãe adotiva
a afagar o verso.

Incluo um verbo,
altero um ponto.
Leio e releio.
Não sei se é bela,
Não sei é pura.
Não sei de sua forma final.

Filhos - flechas pro mundo.
Discordo do sábio oriental.
Oculto na sombra
o fruto.

Amanhã a lua será mel.
Ou eu assumo a autoria
e a declaro perfeita,
filha pronta e completa.
Ou matricida estéril
a destinarei ao limbo
dos símbolos abortados,
verso morto
na cesta de papéis.


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