Eudes Miguel da Silva






A flor vitória régia

A flor vitória régia

Ás margens de um caudaloso rio vivia muito feliz uma tribo em sua toldaria, alimentava-se da caça da pesca e frutas silvestres. Certa vez, viram com grande assombro chegar gente branca vindas sabe lá Deus de onde, para apossar-se atrevidamente de suas terras. Os índios não viram com bons olhos tal intromissão. Lutaram em defesa de suas terras de caça e águas de pesca. Depois de sangrentas batalhas, nas quais ora, venciam ora, perdiam,chegaram a um acordo com os invasores.

Aprenderam uns e outros a viver como bons amigos e vizinhos. Passaram-se muitos anos as tribos aceitaram de bom grado as relações com os estrangeiros. O chefe invasor tinha uma filha de cabelos louros e olhos azuis. Era tão linda e tão boa, especialmente para com os indiozinhos, que toda a tribo lhe tinha especial carinho. O rio em cujas margens viviam brancos e índios era muito perigoso e traiçoeiro.

Aconteceu que certa vez, enquanto tomavam banho vários indiozinhos, o rio começou a encher de repente. Um dos indiozinhos foi arrastado pelas águas e estava a ponto de se afogar. Os outros curumins puderam sair a margem e começaram a gritar. Nisso apareceu a bela filha do chefe branco que tirando rapidamente suas roupas, se lançou no rio e depois de nadar uns metros com muito trabalho e perigo, conseguiu segurá-lo pelos cabelos trazendo-o á tona para que respirasse.

Com o alvoroço chegava mais gente e entre estes o cacique de era filho o indiozinho que se afogava. O cacique se lançou na água e com uns pares de braçadas chegou a onde estavam e resgatou a seu filho. Não pôde fazer o mesmo com a menina, que foi arrastada pela correnteza sem que ninguém a encontrasse.

Então a tribo inteira, depois de realizar uma estranha cerimônia pedindo ao deus Tupã a alma da heroína menina, comunicou por meio de xamãs ao desconsolado pai, uma mensagem que o deus lhe enviava. Tupã comovido pelo sacrifício que aquela havia feito, em favor do indiozinho, havia determinado que ela continuasse a viver, mas na forma de uma flor, uma flor que poderia ser vista sempre sobre a superfície dos rios e lagos.

 



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