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Carlos Eugênio Sombra Moreira






Anjo ou demônio

 
       Em uma dimensão longínqua da imaginação humana, remota dos pensamentos mais férteis dos espíritos inventivos e ignorada pelos niilistas, acontece uma guerra interplanetária que pode interferir, de forma nocente, no futuro do planeta Terra. E, por conseguinte, resultar na exterminação da raça humana.
       Um notável guerreiro de lança na mão, na companhia de sua cúmplice de batalha e amante, invade sorrateiramente um quartel-general inimigo e, como ponto culminante de sua intrepidez, infiltra-se em uma sala onde está instalada uma espécie de incubadora. Um aparelho inefável que deixava transparecer que sua função era manter as condições favoráveis ao crescimento e ao desenvolvimento de alguns recém-nascidos, pois os mesmos estavam coadunados por um tubo a esse aparelhamento, que conduzia a eles um líquido gris. O soro da vida, a válvula que alimenta o núcleo da sabedoria, essência que faz transluzir o sopro divino.
      O anjo beligerante indomável e sua conivente iniciam um tresloucado morticínio. Enquanto a mulher desliga o tubo, deixando as crianças sem oxigênio, com sua espada luzente, o mavórcio atinge de forma letal, com seu punhal de cabo curto e lâmina comprida, a aorta, maior de todas as artérias do coração. O sangue pinta de vermelho seu gládio e mancha sua alma. Esse ato desvairado desperta a atenção de alguns soldados defensores que se dão conta da presença inimiga e partem em socorro às vitimas. O guerreiro demoníaco e sua ajudante lutam ferrenhamente com golpes letais e agilidade invejável.
       A combatente não consegue compreender o porquê de tamanha maldade. Em meio à batalha, se questiona sobre os motivos que levaram seu companheiro à ação tão atroz. Estaria sob efeitos de alucinógeno? Ou teria sido tomado por um demônio que dominara seu corpo e sua mente? Quando o último soldado é subjugado, ela exige explicações por tamanha atrocidade contra vítimas inermes. Sem dar-lhe nenhum esclarecimento, o gladiador sem medo a pega pela mão levando-a a uma sala onde se encontram prisioneiros terráqueos das mais diversas profissões e providos de uma sabedoria ímpar. Indivíduos sequestrados por um cientista ímprobo, que tem o objetivo de substituí-los por clones alienígenas, sementes do mau que surrupiarão suas almas para, conseguinte, ocuparem funções estratégicas e dominarem a Terra.
       Com o sucesso da missão, foram soltos e enviados, na máquina do tempo, a seus países de origem.
       Embora tenha sido treinado para enfrentar guerras sangrentas, o soldado audaz, guerreiro de batalhas inexoráveis, em seu âmago, carrega a quimera de que um dia o poder da palavra venha ser mais forte que a ponta de uma espada afiada, e a pugna seja comutada pelo diálogo e pelo respeito ao direito de cada um gerir seu próprio desígnio. Enquanto reflete seu anseio, adormece nos braços de sua amada, exausto, rodeado de orquídeas e ipês, pois, logo após um combate, sempre busca a natureza para sentir a presença do criador e lavar sua alma nas águas de um lago corrente que alimenta o jardim da esperança.

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