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Betimartins [ Elisabete Ribeiro ]






O Louco e a Águia

O Louco e a Águia

Era uma vez uma aldeia, bem afastada de tudo, diria que ela ficava no topo do céu, era no alto de uma grande montanha, pouco acessível e muito íngreme. Numa família que tinham já seis filhos o sétimo nasceu com problemas sérios, mas nunca foi monitorado por médicos apenas foi aceite com ele era nada mais. Não ia a escola, não era sequer visto por visitantes, pois a família o escondia por vergonha e medo de serem massacrados e julgados.
Ora este menino virou a um solitário, nem mesmo os irmãos gostavam de estar com ele pelos gritos que ele proferia sem querer. È ele tinha problemas de foro neurológico, tinha gestos completamente impensados e não conseguia controlar seu corpo.
Colocaram-lhe o nome de Moises, quase como uma homenagem a sua montanha e a sua fé, Moises apenas era uma criança diferente sem oportunidades de vida normal.
Moisés aprendeu a conhecer cada pedacinho da sua montanha, apesar dos problemas do seu corpo ele apenas ficava assim no meio de gente, entre a natureza ele era perfeitamente normal.
Um dia uma águia começou a falar com ele e ele se julgava louco, agora eu consigo escutar o que fala a águia?
Pensava ele com os seus botões, ninguém parecia sentir a sua falta em casa até era um favor o anormal estar pela montanha, afinal até já nem na casa ele ficava era num quartinho fora da casa para não constranger seus irmãos que traziam já suas famílias ali.
Moisés ficava muitas vezes a conversar com os seus amiguinhos, os animais da montanha, sempre que ele via um ninho destruído e os ovos largados ele reconstruía e ficava vendo se os seus pais aceitavam de novo o seu ninho.
Por vezes ele tratava de plantas, flores que muitas vezes eram maus tratos pelas gentes dali faziam que fossem apanhar os cogumelos para venda e não se importando com o que estragava e sujava por ali.
Moisés fugiu a chorar para a sua montanha, apesar dos seus problemas ele sabia que era seu aniversário e que ninguém sequer lembrou e deu sequer um beijo nem a sua mãe que parece que o culpava a cada segundo de ele ser assim.
Foi até ao topo, seu coração batia descompassada mente, ele não tinha raiva não apenas sentia uma dor forte, uma dor que marcava sua alma com golpes profundos de abandono e tristeza.
Estava de pé vem no topo da montanha quase podia tocar nas nuvens, ele conversou com Deus, quis saber que ele queria dele, que ele estava fazendo tudo isso a ele, suas lagrimas apenas cobriam seu rosto e em desespero, ele ajoelha-se e grita:
- Pai! Porque me deixas sofrer tanto, que queres de mim eu já não agüento mais viver.
De repente fez-se um vento estranho, pareciam vozes, mas não eram não, pareciam cantos, ele estava pensando que era sua loucura mesmo...
Cansado e esgotado ele senta ali, fica petrificado olhando para baixo, pensado que todos ali em baixo eram felizes e não estavam sozinhos. Uma a uma as lagrimas soltavam-se do seu rosto. Uma erva daninha, começa a mexer e diz;
- Moisés!Não chores não, por favor...
Moises olha e não vê nada e nem ninguém, ele esta mesmo a duvidar dele até. Olhou e nada viu. Nisto escuta um grande par de asas abrirem e uma voz forte e imponente falando:
- Moisés escuta meu filho tu não estás sozinho não, eu estou contigo sempre estive, tu és meu filho, mas foi preciso que nascesses aqui, a montanha precisava de ti e tu foste generoso com ela. Olha essa erva daminha ai que falou contigo. Um dia a salvaste de um colecionador de orquídeas, ele a pisou e a magoou apenas ele não sabia que ela estava ai para proteger a orquídea selvagem que esta para nascer.
Moisés estava atônico, sem saber o que fazer, queria perguntar tantas coisas e não conseguia, apenas saiu estas palavras de sua boca:
- Pai porque tu vieste em forma de águia falar aqui comigo?
Deus responde meigamente e sorrindo:
- Meu filho para que tu entendas que este corpo é só um empréstimo da vida, eu posso ter este corpo ou outras formas e tu meu filho és o escolhido por mim, és puro de coração e apenas aceitas tua missão aqui.
Moisés desata a chorar, mas sem querer aborrecer Deus ele exclama:
- Pai eu estou tão cansado é tanta solidão aqui, tantos maus tratos e todos desfazem de mim aqui, sou apontado com o tolo e o louco da montanha.
Deus responde calmamente:
- Meu amado filho, logo tu vais regressar a tua morada, junto comigo, mas antes tu vais salvar alguém que tanto te magoou e essa lição eu não quero te libertar dela não. Tem força que eu estou sempre contigo e do teu lado.
A águia levantou vôo e Moisés fica olhar até já não a ver mais para lá dos picos da montanha.
Agradeceu as palavras da erva daninha e voltou a descer da montanha em direção a casa. Pelo caminho encontrou um esquilo bebê perdido, muito maltratado e com fome. Levou-o consigo para seu quarto fora da casa ao lado o curral das vacas e outros animais que andavam por ali.
Sua mãe saiu de casa a proferir palavras pouco doces e agradáveis, resmungando que era melhor ele ter morrido a nascença que andar por ali, zangada com mais um animal que ele trazia para casa.
Levou-lhe a comida que mais parecia comida para porcos, ele apenas pegou nela e comeu sem dizer nada e agradeceu, ela furiosa saiu e entrou na casa grande. Moisés deita-se na rede e leva seu amiguinho consigo para ele aquecer. Adormece, sonha com lugares lindos anjos e canções entoadas pelos anjos, lindas, mas algo o faz acordar, os gritos. Assustado ele sai de seu anexo e vê a casa arder, quase podia perceber que era a sua mãe na janela, gritando e pedindo ajuda.
Corre e arromba a porta de casa e entra salvando a sua mãe, entrou para salvar irmãos e o seu pai, mas já era tarde, a casa estava coberta de chamas e Moisés já não saiu de casa.
Sua mãe assiste a tudo com seus olhos aterrorizados, naquele momento ela lembrou-se do que falou ao filho horas antes, a dor que sentiu foi tão grande, ela gritou, ela quis morrer ali, mas não era a hora, ela apenas tinha que viver...
Velha, cansada, arrependida ela foi viver junto ao filho mais velho, passou maus bocados com a sua nora, muitos maus tratos e escutava palavras feias e insultuosas, logo nasceu mais um neto, a sua deficiência era maior que a do seu filho Moisés.
Ela apenas olhou para o céu e agradeceu ao filho ajoelhando-se na sua campa, pedindo perdão pelos seus pecados e que iria até a sua morte ajudar o seu neto e o proteger e amar.
Uma linda borboleta pousa em cima da campa, era Moises que veio despedir de sua mãe, uma luz linda cobre o rosto de sua mãe era um beijo do louco que apenas era um belo anjo enviado a terra para ensinar alguém de coração duro.


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