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Andréa Aparecida Lopes Cançado






Motivos para acreditar

Motivos para acreditar
 
Não gosto de refrigerentes. E não é por causa de celutite ou qualquer outro motivo estético ou de saúde. Não gosto e pronto.
Mas, adoro as propagandas da coca-cola. Desde sempre.
É bom contar que foi a campanha publicitária da coca-cola de 1931 a responsável pela difusão da imagem do papai Noel pelo mundo, tal como conhecemos hoje, de roupas vermelhas. E ela conseguiu se superar com o comercial pela comemoração de seus 125 anos.
Se você não assistiu, assista. Está no youtube.
O comercial resgata uma coisa que há tanto perdemos: a solidariedade na comemoração! Temos tanto a comemorar nessa vida e acabamos por nos apegar às coisas ruins, às nossas dores, ressentimentos, sofrimentos. Aos nossos e de todos aqueles que tivermos notícia.
Quando há dor, é fácil, não nos custa. Muito ao contrário, pelo próprio instinto de sobrevivência, rapidinho juntamos os sofrimentos. De longe, choramos e rezamos por todos que estão sofrendo. E sem fingimento. É dor pelo outro mesmo.
Lembra-se das enchentes ocorridas no Rio de Janeiro. Um belo sentimento de fraternidade uniu os brasileiros de todos os cantos do Brasil. Houve uma mobilização de amor! E o que falar do recente massacre na escola do Rio, quando, perplexos, vimos um ex-aluno retomar à sua escola para destruir cruelmente jovens vidas.  O desespero das famílias foi também o nosso horror.
Claro que devemos continuar solidários na dor, até porque, mesmo sem querer, somos assim.
Mas, não basta. É pouco, pouco demais. Precisamos ser solidários também na alegria.
Treinar para aprender a aplaudir o próximo, amigo ou desconhecido. Urge comemorar a felicidade, o sucesso e a beleza do outro.
Quem nunca se viu em erupção de tanta emoção por conseguir algo que tanto queria. Uma vontade louca de gritar, ligar e contar para todo mundo. Nesse instante, vozes mil aparecem: “não fale nada, porque a sorte vai embora”, “não conte prá ninguém”, “se falar, não mais acontece”.
O pior, de tanto ouvir, tendo acreditar! Ai, que dor, que dificuldade, que tormento!
Se alguém lhe contar que conseguiu um excelente emprego, começou o namoro com o moço mais bonito do clube, comprou aquele carro ou exatamente o vestido vermelho que você tanto quer, por favor, dê um pulo de alegria e comemore com essa pessoa. E não se preocupe, o seu momento também chegará.
Não é por outro motivo que os nossos relacionamentos no emprego, na escola e em qualquer outro lugar são tão complicados. Surrupiam oportunidades, promoções, experiências, tamanha é a dificuldade de promover o sucesso e o brilho do outro.
Se é tão difícil, comece pelo menos a dividir o que há de melhor em você e no outro. Pegue o que é bom nele e divida com você mesmo, vá treinando, um dia, sem perceber, você verá como é bom promover e comemorar o outro.
É o superior hierárquico que não ensina ou delega o trabalho, de medo de ser ultrapassado. Ora, se ele brilhar, o brilho será seu também. É o professor que não permite a reflexão e a autonomia intelectual, por temer a superação. Puxa, pense que você foi o ponto de partida, tão essencial. É a cozinheira que não ensina a sua assistente, para que ela não construa o seu próprio menu. Ah, que bobagem, se ela for embora para melhor, outra chegará para lhe auxiliar, e também ainda melhor.
A prática do ato de perceber, reconhecer e comemorar o outro talvez, quem sabe, ajude a modificar roteiros solitários e trágicos de vida, como aquele do ex-aluno da escola de Realengo.
É como está lá no comercial da coca-cola: existem razões para acreditar!
PS: não se esqueça de ver o comercial, duas vezes, com o som bem alto. Se não encontrar, mande-me um email que eu lhe envio.
   
                                                                        Andréa Cançado
 

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