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Kate Lúcia Portela de Assis






Diário de Sherazade V

Querido diário,
 
Hoje, eu estava me lembrando de uma vez em que meu esposo colocou um chapeuzinho verde para contar uma história para as crianças com quem convivemos semanalmente. Nesse dia, ao final da história, um menino aproximou-se muito desconfiado:
„Ÿ Eu acho que eu conheço você... Você não é nosso tio?...
Que fofo! Rsrsrs! Fico tocada com as crianças...
Mas será que só o chapéu verde provocou a dúvida na criança?
Não...
Quando contamos uma história, nós nos transformamos. Algumas pessoas se surpreendem comigo.
„Ÿ Nossa! Você nem parece ser tímida na hora em que está contando a história, você fica diferente...
Isso acontece porque nós nos vestimos de poesia e fantasia quando narramos uma história. Adquirimos um brilho, a voz muda de acordo com as personagens e nosso corpo conta os detalhes da trama.
Vivenciamos uma experiência estética, artística.
Já vi muitas pessoas se emocionarem com a história, já vi as crianças vibrarem com heróis e princesas, já vi gente saindo renovada após o contato com outros tempos, outras paisagens...
Além disso, eu acho que a capacidade imaginativa das crianças também favorece, e muito, esse mergulho na fantasia, sabe?
As crianças são inventivas por natureza.
Entram na brincadeira, entende?
Estão por inteiro na contação, têm convicção na história.
Gente, a minha criança interior faz a festa! Como eu me divirto!
E o bom é que a contação de histórias dialoga com outras expressões artísticas. Enfim, posso cantar, dançar, desenhar, fazer teatro, declamar poesias...
Ah! As histórias aquecem nossos ideais!
Nem te conto... Rsrsrs!

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