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LEOMAR BARALDI






TARZAN NO MOBRAL

Tarzan sai na porta da sua casa na árvore e lança o seu famoso grito, que ecoa pelos ares da selva.
-Quer parar de gritar aí, ô cuzão! –alguém grita de volta para ele.
Tarzan olha bem para Jane, deitada na cama de folhas, pêlos e couro de animais.
-Jane escutou? Chamaram mim de cusão. Isso não pode ficar assim.
-Deixa ele pra lá. –falou Jane com uma sensualidade presente na voz doce e suave, -Você já sabe!
Ele coça algo na perna. –Peguei pulgas, deve ser daquele pulguento daquele orangotango! Eles sempre jogam sujo (no futebol deles, de um lado jogam os criados por macacos e do outro lado os que não foram criados por macacos).
-Ôh, cusão!
-Assim não pode ficar. Mim agora zangado!
-Está na hora de pegar o seu material e ir para o Mobral. Uma pessoa tem de aprender a ler e escrever para ser alguém na vida. Vamos, está na hora!
-Mim não vai na aula hoje. Aqueles malvados sempre roubando o meu lanche.
-Eu prometo que eles não vão roubar mais o seu lanche.
-Promete?
-Prometo! Toma a sua lancheira. O caderno, o lápis.
-Mim ter de apontar lápis. Cadê o meu punhal? Outro dia professora deixar Tarzan de castigo, só porque Tarzan lutou com crocodilo que queria comer caderno de tarefas de Tarzan. Mas mim lutar com crocodilo, deixar crocodilo sem fôlego. E arrastar crocodilo para dentro de classe de aula. E deixar crocodilo pendurado na janela. Professora quando viu crocodilo quase desmaiou.
A professora tinha dado problema para mim fazer. Uma velhinha ia indo com uma cesta com dezoito pamonhas. Um camarada pegou sete pamonhas dela. Quantas pamonhas ficaram?
Naquele dia o pigmeu Catonga Bonga estava na sua choupana descansando quando Tarzan pula pela janela e o agarra pelo pescoço.
-Por que você pegou as pamonhas da velhinha?
-Que é isso, meu irmão!? Que pamonha!!?? Não to sabendo de nada!!! Não sei nada desse lance não.
-Não vai fazer mim de tonto. Por tua culpa mim ficou de castigo de joelho no grão de milho. Pode devolver as pamonhas da velhinha. Eu não querer mais sofrer de castigo em milho por causa desta velhinha.
-Já te falei que não estou sabendo de nada. Que negócio é esse de pamonha, velhinha. Sei lá, cara!
Tarzan apertava mais o pescoço do pigmeu:
-Como, não! Até a professora de matemática ta sabendo. Vamos lá, confesse que foi você.
Dia seguinte quando a professora entra na sala de aula a primeira coisa que vê é Tarzan mantendo o pigmeu abraçado numa espécie de gravata. Uma gravata ao contrário, mantendo os pés do pigmeu para cima e a cara dele mantida presa entre suas pernas, enfiada debaixo da carteira.
-Ele é culpado.
-Do que? –perguntou a professora.
-Mim descobriu o ladrão de pamonhas. Catonga Bonga.
-Ah, sim. Fui eu! As pamonhas, fui eu! Mas prometo que nunca mais vou fazer isso!
E à tarde voltava Tarzan para casa, de cipó em cipó e a inseparável lancheira pendurada no pescoço.
-Por que não tomou o suquinho? –perguntou Jane.
-Hoje mim aborrecido.

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