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Kate Lúcia Portela de Assis






Um príncipe encantador!...

Um príncipe encantador!...
 
Personagens:
Narrador
Branca, a princesa
Carlos, o príncipe
Julieta, amiga da princesa
Pedro, músico e ex-namorado (amigo) da princesa
João, estudante desleixado e ex-namorado (amigo) da princesa
Aurélio, intelectual e ex-namorado (amigo) da princesa
 
 
(Branca entra em cena trajando um lindo vestido de princesa, usando apenas um sapato em um dos pés):
Branca: Espero por um príncipe!...
(Pausa. Entra em cena o príncipe com um sapatinho nas mãos, que ele coloca em um dos pés de Branca para, em seguida, dançar com ela. Música instrumental)
Branca: Espero por um príncipe, mas... não sou nenhuma Cinderela.
(O príncipe estranha as palavras de Branca, e vai se afastando lentamente)
Branca: Nada de nobreza, nada de bondade, nada de delicadeza, nada de simplicidade! Estou mais para bruxa!...
(O príncipe se assusta e se retira às pressas)
Branca: Espelho, espelho meu, você conhece alguma escola de princesas?...
Narrador: Era uma vez uma escola de princesas chamada Vida. Branca, uma jovem sonhadora, estava, como nós, matriculada nesta escola especial e estava prestes a aprender uma importante lição. Ela era uma mulher romântica e, como se costuma dizer por aí, um tanto “moderninha”. Branca vivia de acordo com a seguinte filosofia de vida: “Enquanto o homem certo não aparece, eu me divirto com os errados.”
(Entra em cena uma amiga de Branca e, em seguida, a própria Branca)
Branca: Julieta! Como vai você, fofa?
Julieta: Vou bem... bem mal!
Branca: Mas por quê, menina?
Julieta: Terminei o meu lance com o Romeu.
Branca: Por quê? As famílias de vocês eram contra?
Julieta: Não. Ele é que era sempre do contra... Só mesmo você para acreditar em príncipe encantado...
Branca: É, acredito, mas enquanto o meu príncipe não aparece, a minha coleção de sapos só vai aumentando... (risos de vaidade feminina)
(Branca mostra à amiga algumas fotos em seu celular)
Branca: Olha aqui! Alguns você não conhece... Olha... esse aqui é o João.
(Entra em cena João, um músico carregando um violão, que desfila com uma placa em que se lê: “ Sapo 1”)
Branca: Ele era músico, e era até bem engraçadinho, mas eu tenho ouvidos bem sensíveis...
(João canta mal a música sertaneja “É o amor...”, além de tocar pessimamente)
Branca: Ah! Esse aqui é o Aurélio.
(Entra em cena Aurélio, um rapaz com jeito de intelectual, que desfila para todos com uma placa em que se lê:  “Sapo 2”)
Branca: Ele era sensível, mas havia um problema de comunicação entre a gente...
Aurélio: Branca, eu estou anelando por lhe oscular as alfácias e por lhe dar o famigerado  amplexo fagueiro dos enamorados!...
Julieta: HEIN?!?
Branca: Calma que eu vou chamar o Aurélio!
Aurélio: Eu estou aqui, minha diva!
Branca: Não é você, querido sabichão!  Estou falando do dicionário Aurélio. AURÉLIOOO!
Dicionário Aurélio: queridos falantes de Língua Portuguesa, o referido rapaz apenas disse: “Branca, eu estou ansiando por beijar sua face e por lhe dar o famoso abraço carinhoso dos apaixonados!”)
(O dicionário sai abraçado com Aurélio, buscando consolá-lo)
Branca: Já esse aqui é o Pedro.
(Entra em cena Pedro, um estudante desleixado, que desfila para todos com uma placa em que se lê: “Sapo 3”)
Branca: Ele era divertido, mas meio largadão e tinha um problema sério...
Pedro se senta numa cadeira e tira o sapato. Branca torce o nariz.)
Pedro: “O sapo não lava o pé, não lava porque não quer, ele mora lá na lagoa e não lava o pé porque não quer. Mas que chulé!”
Julieta: É, amiga, a coisa está feia! Acho que os príncipes deviam andar com uma placa escrito “Príncipe Encantado”!
Narrador:   Branca acreditava em contos de fadas e sonhava em “ser feliz para sempre”. Mas a sua felicidade estava...  no país de si mesma. Um país que ela conservava distante. Por isso, Branca precisava fazer uma viagem, mas uma viagem interior. Sua vida precisava de magia. Magia é acreditar em si mesmo. Magia é mostrar ao mundo quem somos. Magia  é curar um coração ferido. Magia é sonhar acordado. Magia é saber que podemos ser felizes.
(Branca está parada em um ponto de ônibus. Ela faz sinal, mas o motorista não para. Entre em cena Carlos, o príncipe, com uma placa colada nas costas, em que se lê: “Príncipe Encantado”)
Carlos: Por favor, você pode me informar as horas?
Branca: Claro. São 16:30h.
Carlos: Obrigado.
(Carlos faz um movimento para avistar o  ônibus e Branca lê a placa em suas costas)
Branca: Gente! Não acredito... Bem que a Julieta falou... Um príncipe!!!
Carlos: HEIN?!?
Branca: Você... você é um príncipe!...
Carlos: Calma aí, que história é essa?
(Branca arranca a placa e mostra a Carlos)
Carlos: Ah! É isso?... Meus amigos vivem fazendo essas brincadeiras comigo...
Branca: Mas então... você não é um príncipe?
(Carlos olha para Branca, lê novamente o papel e olha para a plateia)
Carlos: Príncipe Carlos. Muito prazer...
(Carlos beija a mão de Branca)
Branca: Princesa Branca. O prazer é meu...
(Branca e Carlos ficam congelados durante a fala do narrador)
Narrador: Amar é a maior aventura do ser humano. No coração que ama, reina a mais pura paz. Mas só ama quem ousa amar a si mesmo. Quem não se ama, não pode amar os outros. Por isso, ame-se e ame!... Se você amar de verdade, dará ao outro a possibilidade de ter uma relação baseada na honestidade e na sinceridade desde o primeiro momento.
Branca: Você se lembra do dia em que a gente se conheceu?
Carlos: Como eu poderia  esquecer os detalhes da nossa história, minha princesa? Esquecer a primeira vez que a vi, esquecer a nossa linda noite de amor!...
Branca: Nossa! Esse mês passou voando....
(Entram em cena Pedro, Aurélio e João)
Pedro, Aurélio e João: Branca?!!!
Branca: Meus amores!...
(Branca se afasta de Carlos e vai abraçar cada um dos ex-namorados. Carlos fica enciumado)
Carlos: Branca, quem são esses?
Pedro: Você não a ouviu? Nós somos os amores da Branca. Somos ex-namorados...
Branca: Eles são meus amigos.
(Carlos fica zangado)
Carlos: Eu estou indo embora. Branca, vamos?...
(Carlos estende a mão em direção a Branca)
Pedro: Branca, está rolando uma festança na casa da Julieta. Você não quer vir com a gente?
Branca: Claro! Eu estou com saudades da minha amiga!... Carlos, vamos?
(Branca estende a mão em direção a  Carlos. Todos congelam)
Narrador: Se você se amar e amar o outro de verdade, amará sem data de validade, sem exigências nem contrato, sem condições, sem truques, sem disfarces, sem inseguranças. No estatuto do amor, só uma coisa fica proibida: amar sem amor.
(Carlos se retira. Branca fica meio indecisa, mas depois que os amigos a chamam, vai com eles)
Pedro, Aurélio e João:  Branca, vamos?...
(Todos se retiram. Pausa longa. Branca entra em cena alisando a barriga. Carlos chega)
Carlos: Por que você me chamou aqui? A gente não tem mais nada para conversar.
Branca: Carlos, eu acabei me descuidando e... bem... eu estou grávida!
(Carlos experimenta um contentamento, que dura pouco)
Carlos: E... você já sabe quem é o pai?
Branca: Como quem é o pai?... Depois de tudo o que a gente viveu...
Carlos: Não sei não, Branca. Você tem muitos “amores”.
(Branca fica magoada)
Branca: Carlos...
Carlos: Escuta bem o que eu vou lhe dizer, Branca. Pra ficar comigo, você terá que se afastar daqueles seus ex-namorados e se livrar dessa criança, que eu nem sei se é minha...
Branca: Você quer que eu faça um aborto?
Carlos: Filho é coisa séria, e deve ser planejado pelo casal. Desse jeito, parece que você quer me dar o golpe da barriga... O descuido foi seu, portanto o problema é seu!...
(Carlos se retira)
Branca: O conto de fadas acabou!...
(Branca chora quase desesperada)
Branca: Eu preciso beber alguma coisa... Cadê meu cigarro?...
(Ao procurar o cigarro, Branca toca em sua barriga, e passa a alisá-la)
Branca: Não. Eu não posso prejudicar o meu filho...
Narrador: Uma vez ou outra, renascemos de nós. Todo renascimento contém o fim de um ciclo, seja de um estilo de vida, de uma relação, de uma amizade, de um trabalho, de uma ideia, de um comportamento, de um lugar, de um amor. Uma vez ou outra, renascemos de nós.
(Branca entra em cena com o filho nos braços, e passa a conversar com ele)
Branca: Ô, meu filho, você mudou minha vida, sabia? Eu percebi que, para se uma boa mãe para você, eu precisava me tornar uma pessoa melhor. Eu não estou falando só de deixar de beber ou de fumar, eu estou falando de deixar a vida acontecer: correr, brincar, pular, trabalhar, estudar, amar e amar!  Eu estou falando de preservação da vida. Você preservou a minha vida!...
(Carlos entra em cena)
Carlos: Branca?...
Branca: Carlos?...
Carlos: Branca, eu pensei bem e...
(Branca se enche de esperança)
Branca: E?...
Carlos: Se ficar comprovado, por um teste de DNA, que esse menino é meu filho, eu vou assumi-lo. Pagar pensão, essas coisas e enfim... É isso. Tchau.
(Branca vai para o centro do palco)
Branca: Espero por um príncipe...
(Pedro, Aurélio, João e Julieta entram em cena com brinquedos nas mãos)
Pedro: Nós viemos ver o seu pequeno príncipe!...
(Branca olha para o filho e descobre que ele é o seu verdadeiro príncipe)
Branca: Um príncipe que me salvou!...
(Cada amigo vai se colocando próximo a Branca, um de frente para o outro, fazendo um gesto de reverência para a criança)
Julieta: Era uma vez um pequeno príncipe!...
Pedro: Era uma vez um príncipe encantador!...
João: Era uma vez um pequeno príncipe!...
Aurélio: Era uma vez um príncipe encantador!...
(Todos congelam)
Narrador: Nessa escola de princesas, chamada Vida, Branca aprendeu que as bruxas são apenas princesas a serem descobertas...
Branca: Era uma vez uma princesa e seu pequeno príncipe!...
 

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