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Diovane Avelino de Souza Silva






O campo extenso do ócio

Nas campinas não verdejantes, de pluma macia, cujo vento acaricia minha face
Deito como se deita um filhote de águia pós saciada sua fome instintiva
E refresco minhas ideias em prol de sintonias mais sólidas ou arrojadas
E na imensidão de um céu claro e com pontinhos brilhantes à noite!
Vejo como se o ver fosse apenas uma entrada para nossas percepções
E um caminho para sentirmos o exato momento de um sonho em acorde
Ora com os próprios desatinos, ora como relâmpagos de desejos,
Ora como um simples respirar em frente a uma maré invisível e corrosiva
E simultâneo ao ver e ao deitar nas campinas tem-se o ressurgir do caos
Que provoca o restaurar de um ciclo em decadência cuja infância baseia-se no mito
Naquele mito moderno de superherois camuflados pela virtualidade
E o mito é apenas um tapete verde que acolhe nossos lassos pertúbios cotidianos
Assim como eu me deito nas campinas, deitam nossos ideais em algodão de interesses
Assim como eu vejo o céu, veem a clareza que deturpa a paz da escuridão
E assim são os assims que nos guiam em conformidade com nossa vivência
No entanto, o ideal e aceitável para os padrões é não deitar nas campinas
Caso o faça, somente para o descanso da labuta indesejável
O não permitido é rigorosamente o ato de pensar nas algemas de liberdade
Aquelas que falseiam o grande infortúnio de sermos escassos como gente
E sermos demasiados objetos numéricos de um sistema inteligente
Como os filósofos foram e são a base dos profundos pensamentos
E eu, mergulhado na paz de minha calmaria de intelectualidade ignorante,
Só consigo sentir o vento e o coçar que a campina provoca em meu corpo
 

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