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Ilza Maria Saldanha Ribeiro






Amor Sem Fronteira

Todos os dias era a mesma coisa: Banhava-se, ia para o seu quarto, ficava diante do espelho se arrumando.

Perfumava-se, colocava uma cadeira na porta de sua casa, ali se sentava olhando para a esquina do bar.

Freqüentemente se encontrava na porta da casa, sentada naquela cadeira uma menina bonita e elegante com olhar fixo na esquina do bar, que Miguel gostava de freqüentar.

Dia vinha e ia... A cena se repetia. Ninguém sabia qual era a expectativa daquela ingênua garota, até que Miguel, por ter se encantado à primeira vista pela donzela, desejava uma aproximação com a pequena, mas queria saber o que estava por trás daquela sena. Resolveu então prestar atenção, para matar sua curiosidade, conversa consigo mesmo:

_Preciso descobrir porque essa garota se senta todas as tardes, no mesmo horário, na calçada de sua casa e comporta-se como se estivesse esperando alguém que tanto ama!

_ Não. Eu não posso me envolver tanto assim com a vida dela! E se for apenas um hábito?

_Mas não é possível! Há algo por trás da cortina que tenho que saber antes de me aproximar dessa menina! Vou plantar-me todas as tardes em minha janela para averiguar.

Bem assim fez Miguel. Durante uma semana colocou-se na janela de sua casa, acompanhando os olhares da moça, de modo que, no terceiro dia, seu pescoço já doía de tanta agonia. Mas valeu a pena, pois, no quarto dia de vigilância, ele percebeu que todo final de tarde um rapaz alto, moreno, enfardado vinha daquela esquina e passava pela porta da casa da garota e assim que ele passava, ela recolhia a cadeira e entrava porta adentro da casa. Porém, o mistério ainda não termina aí. No quinto dia da semana, Miguel aproxima-se do rapaz, procura fazer amizade com o mesmo, começam a falar sobre a garota.

Miguel pergunta ao rapaz:

_Você conhece...? Deu as características da menina...

O rapaz responde:

_ Claro. Ela é linda, não é?

Miguel responde:

_Muitíssimo! Você já teve a oportunidade de conversar com ela? Todos os dias ela observa você passar...

O moço responde:

_Já percebi que a mudinha está gamada em mim.Todas as vezes que venho do trabalho, ela está na porta da casa. Já me falaram que depois que passo ela entra para dentro.

Miguel ficou assustado, com a frieza do rapaz ao falar sobre a mudez da moça e imaginando como poderia uma garota tão linda ser muda. Mesmo assim, a deficiência física da menina não o impediu de procurá-la...

Ilza Saldanha



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