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Ulisses Andrade






A dura vida de um anjo...

E lá estava ele de novo entediado...
“Quando vou reencarnar?”
Esbravejou um tanto indignado
“Calma, estou a estudar”
Respondeu um Fariseu, indicado a lhe orientar
“Estou de saco cheio desta asa!”
“Terá que aguardar, é só o que posso falar”
"Ah sim! E depois voltar 'praquela' casa?
“Tenha paciência, ninguém volta pro mesmo lugar”
“O lugar sempre muda, eu sei, mas a sorte...”
“Tem que aprender a se contentar”
“Ah claro, não foi você que na primeira já nasceu pobre”

“Depois achei que ia compensar...
E lá fui eu de novo, achando que seria um nobre...
E no que deu então? Outra enganação!
Nasci negro, antes da lei da escravidão!!”

“Meu filho, se o Mestre superior quis assim
É porque assim devia ser, não importa
Se a hora é esta, pois sim
Você vai, e não antecipe de novo sua volta...”

“Você está falando da quarta descida?
Passei no ventre o maior sufoco
Me apertou aquela mãe suicida
E quando nasci, não fui eu que quis, era Nat Morto”

“É como eu sempre digo
Você reclama de tudo
Quando está aqui fica desiludido
Quando desce, volta arrependido
Você reclama de barriga cheia,
E eu que desci apenas uma vez?
Vivi no tempo da Santa Ceia
Não tinha nada que tem hoje, creia
E nem por isso eu lamento
Aceito pra que fui designado
Apesar deste tormento
De lidar com anjo tão mal educado”

“Eu sei que sou um pouco chato
Mas me dê uma força, por favor!
Não quero muita coisa de imediato
Apenas uma família rica e muito amor
Um carro, uma moto e um avião
Que eu consiga viver sem trabalhar
Passar pela vida como um garotão
Que a saúde sempre venha me visitar
Que eu viva mais de cem anos
Tenha muitos amigos a me cercar
Que eu não precise fazer planos
Para voltar tão cedo pra cá...
Ah! E se eu puder acrescentar
No Brasil eu quero morar
Não é pedir muito, tem que aceitar
É a condição mínima pra eu reencarnar!”

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