Emanuel Medeiros Vieira






LUCAS


Lucas no mundo,
bem-vindo, filho,
naquela madrugada fundadora olhei-te,
inaugural contemplação,
e em tudo pensava,
mares, neste Planalto, no teu amoroso avô paterno
nascido no mesmo dia, em outro século,
e só pedi (e tanto intercedi): fé, esperança, paz,
luz na jornada,
este barco que me levará até o teu sonho,
e te confesso, filho: vivi meus exílios
e algumas sextas-feiras santas,
mas também te conto uma história povoada por uma palavra:
Aleluia.
Nunca esquecerei deste nascer do dia,
às 5 e 5 da manhã, maio, 24º dia,
Lucas evangelista, que foi médico, Lucas celebração,
tua mãe abre o peito e te alimenta,
nesta viagem - amado passageiro -
que inicias, em certa estação não estarei mais aqui,
(mas também estarei: outra esfera),
ciclos, águas, barros, estrumes, começos, crepúsculos,
talvez não esteja contigo na contemplação de orvalhadas manhãs,
mas também estarei,
assim foi com o teu avô, assim será com teu pai,
com o teu filho, Lucas,
conhecerás a Ilha do teu pai,
o Nordeste de tua mãe,
esta cidade, Planalto, de tua irmã, também claridade,
haverás dores e compensações,
e tudo será tão breve (tão eterno)
no princípio era o Verbo.
Filho: cumpriremos os rituais do afeto: vem Lucas, a casa é tua
(e este batido coração).

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