jose carlos ribeiro






Tributo a Chico Mendes

No dia 22/12/1988, bem próximo ao Natal, num estado sem lei, de um pais vil, imitado pelos antigos filmes de FarWest, o Brasil noticiou a morte bárbara de Francisco Alves Mendes, alcunha (Chico Mendes), impotente, eu me entristeci; porém minha mente atormentada não pôde se calar e esse poema eu fiz e quis que alguém lesse, para não compartilhar talvez com a brutalidade da IMPUNIÇÃO, que massacra uma classe minoritária e que os governantes fazem vistas grossas.
 
 
ARCO-CHICO-IRIS
 
É aurora é dia
A cascata com melodia desperta toda a floresta
É mais um dia de festa.
Dos Tuiuiús a cantoria, as Gaivotas em romaria
Anunciam que o dia nasceu
Um tal Chico chilreia, um Pica-pau que ponteia, um Bem-te-vi que trapaceia
Na tora do Jacarandá
Na galhada da Palmeira canta a Gralha seresteira
Governa o toco em vão, cá embaixo um Corrupião
Um tirano vadeia, vestido sem roupa de aldeia, profana o canto
Acaba com o encanto, daquele divino recanto
No perfil da natureza
A Jandaia sem nobreza, agitada sobre o plagal
Nem a Araúna chiadeira
Na folhagem da Palmeira quer a melodia cantar
A Araponga braveja, bigorneia, ara a renda do céu
Quando cai em forma de véu
Um Tucano fazendeiro voa como mensageiro
Depois aconchega no chão, após a perseguição
Na floresta um grazinado trincado, trançado, um trinado de dor
Um ritual de inferno, um pedido de socorro, vem do Arbusto e do morro
Das Seriemas e dos Pardais
O sol desmaia na mata, Jaci com sua saia de prata
Vem clarear o sertão
Amanha não verás mais o Pavão, nem dos Jaçanãs o refrão
Nem o coral das Maritacas, não verás os Periquitos brincando no chão
Nem dos Cisnes a procissão, nem o arco íris das Araras
Quando olhares para o céu
Não verás os flocos das Garças brancas, e no olhar sentirás o frio da núvem de lágrimas
Talvez, ouvirás o lamento do derradeiro Uirapuru imitado pelo vento
E se quiseres chorar, as lágrimas também estarão extintas
Só restarás em forma de angústia um grito sufocado na garganta
E, por ser tarde demais não terás nem o direito de chorar.
 
Fragmento retirado do meu livro  "Sussurros de Poeta"
José Carlos Ribeiro

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