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jose carlos ribeiro






Dama de Paus

Dama De Paus
Até o ceu cativeiro é prisioneiro
Um vento vagabundante, gritante
Num beco desolado, maltratado
Um corpo enfeitiçado de pecado
A lua por esmola, unge e passeia
As estrelas vadiam e alumiam
Lançam suas saias riscadas no chão
Da sacrossanta avenida São João
Embaixo do tablado, mal arrumado
Na quina da sina da esquina
Está a Dama a trabalhar
A vadiar
Oferece a seu par
Seu corpo com preço, sem apreço
Oferece seu corpo nos murais
Aos filhos de dia e a noite aos pais
Ela grita e seu corpo agita
Um bailado devasso ela imita
Chama por um nome
De qualquer homem com fome
E diz:-Quer fazer amor comigo?
Pois entao venha amigo
Se nao eu prossigo
Vem um com desejo de farra
Outro chega com querer e garra
O solteiro vacilou so por prazer
O garoto nao ficou pra conhecer
O casado a abandonou por lazer
Na triste madrugada, nenhum freguês
Mas com muita sensatez
Implora uma verdade, embriagada, angustiada
-Quero me doar para você
Estou louca de prazer
Quer fazer amor comigo?
Pois entao venha amigo
Se nao eu prossigo
Ela nao faz amor com paixão
Nao quer doar seu coração
Ela so quer um bom tostão
De doutor ou de ator
Pode ser italiano, jardineiro ou suburbano
Ela nao importa em ser profana
Exibe a coxa pra rua
Mostra a teta nua
E, assim no decorrer
A lua ao perceber
Esconde-se de vergonha
Daquela Dama medonha
Outra vez ela grita e diz que ama
Diz que é bailarina de cama
Que é Dama da rua
Grande amiga da lua
Mas, que é filha da solidão...
Nenhum freguês a enlaça
Mas, ela aumenta a caça
E se oferece de graça
A um qualquer quando passa
Recusada
Termina a noite na praça
Ai cresce o meu dilema
Será um sistema com problema
Ou um problema do sistema.

Jose Carlos Ribeiro/Escritor
(Fragmento retirado do livro Sussurros de Poeta)


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