Mauro Evaristo






Quadrantes.

I
Uma parte de mim é poesia,
A outra é agressão.
Uma parte de mim alegria,
A outra desilusão!
Uma parte de mim é amor,
A outra, desespero.
Uma parte de mim é dor,
A outra, só desejo!
Uma parte de mim é carinho,
A outra, só a lágrima.
Uma parte de mim é chegada,
A outra, só o caminho
Que leva não se sabe onde,
Mas que eu espero que seja longe!

II
Eu sou aquela canção
Que está na boca do povo,
Anunciando a devastação
E um mundo totalmente novo!
Eu estou naquele bar,
Naquele copo de cerveja,
Na prostituta a dançar,
Bailando frente à igreja!
E quando alguém insistir
Em saber de tudo que ocorreu,
Logo, logo irá desistir,
Vendo que ninguém compreendeu
Que toda razão de existir
E toda a verdade também sou eu!

III
Uma parte de mim quer a guerra,
A outra só quer a paz.
Uma vive na primavera
A outra, aqui jaz!
Uma parte de mim chora feito criança,
A outra, grita feito louco.
Uma parte de mim é só lembranças
Da outra, o que sobra é pouco!
Uma parte de mim grita,
Às vezes chora,
E quase sempre pede.
A outra já se agita,
Estando sempre indo embora,
E quando não, muito padece!

IV
Diferente de tudo que existe,
Sou vários ao mesmo tempo.
Se sou alegre, sou triste.
Se sou a felicidade, sou o sofrimento!
Diferente de tudo que há,
Sou tanto de vários sentidos.
Se sou unir, sou separar.
Se sou arredio, sou amigo!
Como tudo que há na vida,
Sou diferente em cada emoção,
Transformando feito mutante.
E se tenho a alma ferida,
Não dou meu coração.
Por ter/ser vários quadrantes!

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