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Luiz C. Lessa Alves






PROFESSORA E ALUNO

PROFESSORA E ALUNO
 
- Olá, filhão! Como foi hoje na escola?
- Muito chato, pai. A professora chegou na escola chorando.
- O que aconteceu?
- Ela estava esperando o ônibus quando um ex-aluno parou ao lado dela e riu...
- Só por isso ela chegou à escola chorando?
- Ele estava num carro importado, pai!...
- E daí? Só por que professor não pode ter carro...?
- Não, pai! Foi porque ele riu dela!
- Riu dela! Como assim?
- Ele perguntou se ela ainda se lembrava dele, ela respondeu que sim...
- E daí!
- Daí ele falou: “Você não disse que quem não estuda não consegue nada na vida!”...
- Ah, sim! E o que ela respondeu pra ele?
- Nada. Ele mesmo é quem respondeu.
- O quê?
- “O olhe só! Você aí, em pé, esperando ônibus, e eu aqui sentado numa carreta...!”.
- Meu Deus! Que cafajeste! É alguém conhecido no bairro?
- No Brasil, pai! Você mesmo sempre disse que ele era desprezível, egocêntrico.
- Diga logo quem é o “cara”! São tantos os canalhas, assim, e bem-sucedidos...
- Foi aquela mesma pessoa que, numa discussão com um jogador, disse...
- Já sei: Que o salário do colega não pagava nem a sua chuteira? 
- Esse mesmo! E que só sabe contar até cem. A partir daí, pra ele, vêm as centenas.
- Ele nunca aprendeu que depois de cem vem cento e um... e não duzentos, trezentos...
- E dizem, ainda, que nem assim ele passa de mil!
- Isso prova minha tese: a mídia quando não cria, propaga o mau-caráter.
- Tem razão, pai.
- Filho, cafajeste assim existe por aí às carretas! Com a mídia a proliferar.
- Ainda dizem que Deus não dá asas a cobra!
- Ele não, filho; somos nós mesmos, que põe veneno em boca de quem só sabe morder!
 
Conto do livro Pequenas Histórias Pedaços de Vidas - Editora Protexto

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