Vicência Jaguaribe






No tempo

   (Vicência Jaguaribe)
 
 
 
 
No tempo de ontem
O tempo ficava fechado em caixas.
A qualquer hora e a qualquer necessidade
Abria-se a caixa e da caixa ele pulava
Feito um menino levado
E punha-se à disposição.
 
No tempo de ontem
O tempo alargava as fronteiras
Ou fechava as porteiras
No tempo e pelo tempo
Que se quisesse.
 
No tempo de hoje
O tempo é um andarilho apressado
Que não espera quem perde a hora
Ou pede tempo para o retardatário socorrer.
No tempo de hoje
O tempo é o gigante de sete léguas
Que sem trégua se entrega à autodevoração
Da qual regurgita a morte,
Que nem tempo tem de mandar aviso.
 
O tempo de hoje sufoca no bolso o tempo de ontem,
Obrigado a recolher-se na memória
Para não desaparecer.
 

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