Luiz C. Lessa Alves






A COLCHA

A COLCHA
 
À noite, fosse quente ou fosse fria,
Lembro-me muito bem, ainda!
Lá fora, o cochichar das folhas ao vento,
Cá do quarto, aconchegado, eu ouvia!
 
Meu cobertor era uma colcha de retalhos,
Com duas faces suaves, macias... 
Composta por triângulos isósceles,
Cujas bases a um octógono se prendiam,
Formando uma estrela em perfeita harmonia.
 
Do mesmo polígono, igualmente,
Vértices de losangos também saíam.
Esses desenhos geométricos,
Ora estrelas, ora flores, pareciam.
 
Dezenas deles, ambos coloridos,
Encaixando a corola de uma flor,
Nas pétalas de outra rosa.
 
Assim era tecido meu cobertor,       
Mas, nunca soube como minha mãe fazia,
Nem quanto tempo ela gastava para coser
Manta assim tão confortável, tão linda!
 
Jamais vou esquecer aquela colcha!
Não há como aquecer aqueles dias!  

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