Apelido:

Senha:


Esqueci minha senha







GERALDO DE CASTRO PEREIRA






O CURIANGO E O URUTAU

 
Certa vez, um curiango,
Para assistir a uma festa,
Foi pedir um paletó
Ao urutau na floresta.
 
Pediu tanto o curiango,
Pediu tanto e até chorou
Que o  urutau ,compassivo,
De tanto dó lhe emprestou.
 
Ostentando a roupa nova,
Chegou ,garboso e contente,
Àquela festa  famosa,
Esnobando toda a gente.
 
Mas, terminado o pagode,
O curiango safado
Nunca mais quis devolver
O paletó emprestado.
 
Por isso é que o urutau
Nas noites de lua, em ais,
Canta, sempre, lamentando:
¨”¨foi, foi, foi, não voltou mais!”
 
E o curiango, de longe,
Que do paletó gozou,
Num tom assim zombeteiro,
Responde: “amanhã eu vou”¨.
 
Quanta gente neste mundo,
Num gesto vil, desleal,
Ao receber uma dádiva,
Retribui o bem com o mal.
 

Tempo de carregamento:0,04