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GERALDO DE CASTRO PEREIRA






TRISTEZAS NA PRISÃO

 
Era um verde e formoso periquito
Que triste e aflito na prisão vivia.
Pensava em sua antiga liberdade,
Pois à vontade revoar podia.
 
Tinha inveja das aves soltas, meigas,
Que pelas veigas , céleres,  voavam.
Tinha saudades das canções suaves
Das mesmas aves que sutis cantavam.
 
Sorver queria olores de boninas
Nas purpurinas e gentis manhãs.
Beijar  queria as flores orvalhadas
Nas madrugadas belas e louçãs.
 
E quando entre cantigas de alegria
Lindo se erguia no horizonte o sol,
Ele ficava logo a soluçar
Querendo voar  nas asas do arrebol.
 
Triste  batia as asas com um grito
O periquito na infernal prisão.
E encorujado  e só ali  num canto,
Em mudo pranto se banhava então.
 
E, numa tarde, quando o sol  fulgente
lá no poente veio declinar,
Prorrompeu-se a avezinha entristecida
Em despedida num febril cantar.
 
Para ouvi-la depressa então corri,
Pois nunca a ouvi assim cantar tristinha.
O que vi,  pois?  Tão pálida, estendida
Desfalecida e morta a avezinha!
 
Nos  vales lúgubres  choraram fontes
E o sol  nos montes logo se escondeu.
A própria tarde se vestiu de luto
E o  bosque hirsuto de pesar  gemeu!.
 
 N.A. - Este poema foi escrito, quando eu tinha apenas 18 anos Ainda utilizava um linguajar antigo e dentro das regras da métrica  tradicional.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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