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GERALDO DE CASTRO PEREIRA






O CANTO DO REGATO

Entre a verde folhagem da mata,
Embalado nos braços da brisa,
O regato no leito de prata
Coleando, sereno desliza.
 
Vai abrindo, ligeiro, caminho
Entre a densa e rasteira verdura,
e, num tom sonoroso, baixinho,
Uma linda cantiga murmura.
 
As florinhas  no espelho das águas,
Sua fronte gentil vêm mirar;
E eu me esqueço das dores e mágoas
Escutando o regato cantar.
 
Quando a tarde já vem ansiosa,
E a primeira estrelinha cintila,
Vejo a lua brilhante e formosa
Contemplá-lo, sorrindo, tranqüila.
 
As estrelas se inclinam tão meigas,
Para ouvir o regato cantar.
Leves auras, voltando das veigas,
Ficam quedas também a escutar.
 
Lambaris se remexem ligeiros
Entre as águas da cor de cristal.
Sapos mil – barulhentos ferreiros –
Vão regendo uma orquestra infernal.
 
Quem me dera passar toda a vida
Escutando esses ledos cantares
Do regato que nessa descida
Vai lançar suas águas nos mares.
 

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