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Silvana Dal Bosco






CULTURA E EDUCAÇÃO UMA REFLEXÃO NA PRÁTICA PEDAGÓGICA DO PROFESSOR


CULTURA E EDUCAÇÃO
UMA REFLEXÃO NA PRÁTICA PEDAGÓGICA DO PROFESSOR

 

 

Silvana Dal Bosco

 
RESUMO
 
A importância de se discutir cultura e educação na comunidade educadora é primordial para se iniciar um processo de mudanças no sistema educacional, que ao longo dos anos perdeu-se e fragmentou-se, esquecendo-se que a base de qualquer construção de conhecimento é a educação e a cultura de seu povo. O conhecimento cultural que o educando traz em sua vida, adquirido, através de suas origens, é fonte de conhecimento a ser analisado, compreendido e inserido na prática educativa, onde o educador precisa ir à busca deste entendimento, para permitir que o sujeito construa seu conhecimento, entendendo e conhecendo as diversas culturas que o cercam, não sendo imposto um conhecimento “dito” como correto indo a contrariar e desconsiderar suas origens. É preciso aprofundar-se no estudo da cultura humana, suas raízes, seus por que, num trabalho de conscientização e politização. O educador é o sujeito deste processo, formador de opiniões de mentes puras que chegam à escola buscar a base do conhecimento.
 
Palavras-chave: Cultura; Educação; Humanidade.
 
 

1 INTRODUÇÃO

 
Falar sobre cultura e educação parece tarefa fácil. Em nosso dia-a-dia nos envolvemos diretamente com costumes, crenças, afazeres e tradições que vem de múltiplos tipos culturais com cada indivíduo que a nós chegam não nos dão conta do poder sugestivo que estas múltiplas culturas exercem sobre nós, sobre uns aos outros, já que ninguém vive sozinho, e a troca de informações, e o relacionamento entre as pessoas são essenciais para que haja uma construção de conhecimentos e vida em comunidade.
Interessar-se, conhecer e procurar entender a importância desta carga cultural que o educando traz consigo para a comunidade escolar, e como esta influencia no processo ensino/aprendizagem não é tão somente um saber sem consequências, mas sim um saber que irá ajudar na construção de um conhecimento íntegro, ético e rico em informações e saberes que levarão a pratica educativa a resultados valiosos, dentro de um conhecimento (prático) que repulsa a exclusão, e integra o sujeito/aluno num todo, de igualdade e oportunidades ao conhecimento necessário para uma vida de descobertas, trabalho, oportunidades e igualdades.
A sociedade em que vivemos é dividida em classes, sendo que uns são privilegiados e outros não, assim sendo os privilegiados impedem que a maioria usufrua dos bens produzidos e, colocam como um desses bens produzidos e necessários para concretizar a vocação humana do “ser mais”, a EDUCAÇÃO, da qual é excluída grande parte da população do Terceiro Mundo. Uma vez que interar-se do conhecimento das diversas culturas que constituem a humanidade abre caminhos para a construção de um conhecimento social, político e cultural do homem que vem a somar para a compreensão e entendimento do processo histórico.
Esta pesquisa tem como objetivo a investigação de formas de estudo e conhecimento sobre a cultura e a educação. Destaca-se o fato de que para compreender é preciso apropriar-se de vários conhecimentos existentes, e construir um conceito levando em consideração os conhecimentos adquiridos na leitura e na pesquisa.
É importante pensar a cultura e a educação, como grande possibilidade de expressão, linguagem e comunicação simbólica. Conhecendo os sentidos e significados se podem (desvendar) e ampliar a capacidade de pensamento sobre representações passadas, presentes e futuras, construídas socialmente e historicamente.
É conhecer-se e refletir sobre si mesmo.
Os estudos realizados não pretendem abraçar o universo do conhecimento sobre a cultura e a educação, mas sim contribuir no sentido de esclarecer e dar entendimento a certos aspectos de seu desenvolvimento, na ampliação dos horizontes e na compreensão de sua prática pedagógica.
 
 
2 CULTURA, EDUCAÇÃO E SOCIEDADE
 
Cultura diz respeito à humanidade como um todo e ao mesmo tempo a cada um dos povos, nações, sociedades e grupos humanos. É fundamental entender os sentidos que uma cultura faz para aqueles que a vivem, já que cada realidade cultural tem a sua lógica interna, e que temos que procurar conhecer para entender os diversos sentidos de suas práticas, costumes, crenças, concepções e transformações. As culturas estão em constante interação. Por isso pensar sobre a cultura é uma maneira estratégica de pensar sobre nossa própria realidade social, sobre nossa sociedade.
O desenvolvimento dos grupos humanos foi acontecendo em ritmos diferentes e modalidades variáveis, vemos isto quando voltamos nosso estudo às formas de utilização e transformação dos recursos naturais disponíveis.
Notam-se algumas tendências dominantes na humanidade, ao longo de seu desenvolvimento; em vários lugares e épocas, grupos humanos inicialmente nômades e dependentes da caça e da coleta para a sua sobrevivência, passaram a instalarem-se juntos formando aldeias e vilas, acompanhando o desenvolvimento da agricultura e a domesticação de animais. O destino de cada agrupamento esteve marcado pelas maneiras de organizar e transformar a vida em sociedade, superar conflitos e as tensões geradas na vida social.
 
 
2.1  Cultura e sociedade
 
A variedade de formas culturais nos diversos ambientes em que vivemos, manifesta-se a todo o momento, e a questão é:
- Como tratar esse assunto?
Se pensarmos na sociedade brasileira, vamos ver que como outras, ela se compõem de “classes” e grupos sociais, cada região com uma característica diferente, faixas de idade, escolarização, além disso, a população brasileira foi constituída com contingentes originários de várias partes do mundo e isso tudo vemos refletido no contingente cultural de seu povo.
Para entender melhor o país em que vivemos é preciso que consideremos a cultura interna à nossa sociedade. Mesmo porque esta diversidade não é só feita de idéias; ela também está relacionada com as maneiras de atuar na vida social, é um elemento que faz parte das relações sociais no país. As preocupações sistemáticas em estudar as culturas humanas vêm com a humanidade desde séculos passados, intensificando-se na medida em que iam surgindo os vários tipos de contatos entre os povos e nações.
É relativa à maneira que as pessoas se expressam e conceituam cultura; por vezes fragmentam e direcionam a palavra cultura a manifestações artísticas, como teatro, música, pintura, escultura. Outras vezes ela é quase identificada não somente pelos meios de comunicação de massa como o rádio, a televisão, o cinema. E pode-se ver a palavra cultura, também, para definir festas cerimoniais, lendas e crenças de um povo, seu modo de vestir, comer, falar... A lista de divisões que fazem ao falar em cultura pode ser ampliada.
Na América Latina, mais específico no Brasil, as culturas de povos e nações que habitavam suas terras antes da conquista européia foram sistematicamente tratadas como mundos à parte das culturas nacionais que se desenvolveram. São levadas em consideração essas culturas nacionais na medida em que fornecem elementos e características que dão um caráter particular a alguma coisa, contudo são tratadas como contribuições culturais da imigração de outras partes do mundo.
Com a aceleração da interação entre povos, nações e culturas particulares, diminui a possibilidade de falar em cultura como totalidade, pois a tendência à formação de uma civilização mundial faz com que os povos, nações, culturas particulares existentes partilhem características comuns fundamentais, logo, falar de culturas isoladas e únicas vai perdendo a viabilidade.A cultura passa a ser entendida como uma dimensão da realidade social, a dimensão não-material, de uma dimensão totalizadora, falando assim em cultura como a totalidade de uma dimensão da sociedade, é todo o conhecimento que uma sociedade tem sobre si mesma, sobre outras sociedades, sobre o meio material em que vive e sobre a própria existência; é uma realidade e uma concepção que precisa ser apropriada em favor ao progresso social e da liberdade, em favor da luta constante contra a exploração de uma parte da sociedade sobre a outra, em favor da superação da opressão e da desigualdade.Nada que é cultural pode ser parado, estanque, porque a cultura faz parte da sociedade que vive da realidade, onde a mudança é um aspecto fundamental.
O sujeito da cultura é a natureza infra-humana mais o homem, aberto as suas capacidades e desejos, que geram o mundo da cultura desde a idade da pedra até os dias atuais, tudo o que nos rodeia no lazer, no trabalho, na alimentação, é resultado da natureza e da obra humana com a cultura que ela se encontra. (hábitos alimentares variados, estilo de casas, etc.)
O homem corrompe valores éticos e morais para fazer valer a sua cultura, causando consequências desastrosas a si e a natureza. “A terra será maldita por tua causa”. (Gênesis 3, 17) A ação contínua e variada do homem sobre a criação de Deus é o ato, a perfeição e o clímax da existência terrestre. A ação acompanha a evolução humana, causando consequências que resultam destas ações, ou seja: Tudo o que ocorre no planeta não é acaso e sim conseqüência.
A cultura é um termo plurissemântico que tem três significados principais:
 - Elitista – Pedagógico – Antropológico.
- Elitista quando nos referimos a uma vasta sabedoria, geral ou particular.
- Pedagógica é quando nos referimos à educação, formação, o cultivo do homem, o processo que o homem desenvolve para chegar à maturação e realização da própria personalidade.
- Antropológica, identifica o conjunto de costumes, técnicas e valores que caracteriza um grupo social, uma tribo, um povo, uma nação. Não sendo o homem só um produto da natureza, nem só da história, mas em parte da natureza e em parte da história; esse amálgama entre natureza e história chama-se cultura.
O homem tem em si natureza e história, e seus atos são fruto desta natureza e também da cultura. Portanto, língua, costumes, técnicas e valores são os elementos essenciais construtivos de toda a cultura. Cada povo parte destes elementos e desenvolve todos os outros aspectos que contribuem para conferir-lhe sua forma específica: a arte, filosofia, religião, ciência, literatura, política, etc.
 
 
2.2  Cultura brasileira
 
A cultura brasileira começa a ser vista desde o instante da sua descoberta, quando a Armada Portuguesa de Pedro Álvares Cabral aqui chegou entrando em contato com os grupos aborígenes que aqui viviam. Dados registrados na carta de Pero Vaz de Caminha nos trazem informações sobre hábitos, costumes e vida dos aborígenes.
O estudo etnográfico do Brasil andou sempre ligado ao indígena. Até quase nossos dias o que se entendia como matéria de etnografia era o indígena. Roquete Pinto em 1913 mostrava em memorável discurso no Instituto Histórico, que a “etnografia no Brasil, hoje, não se pode mais prender somente ao aborígene.”
O estudo etnográfico abrange o negro, mestiços, grupos imigratórios, envolvendo num todo, a formação das populações brasileiras, através dos elementos culturais que as caracterizam.
O homem fixou-se nas terras brasileiras baseando-se na exploração dos produtos que aqui encontrava. A economia e o homem uniram-se e na exploração das terras brasileiras, assentaram a sedentariedade da colonização. Assim surgiram estabelecimentos de exploração econômica que constituíram o ambiente ou a base física em que se processaram as relações étnicas e de cultura na formação brasileira.
Caracterizando as regiões culturais do Brasil, é preciso fundar-se no conhecimento do processo de ocupação humana, oportunidade em que se entrelaçam fatores do meio físico, econômico e histórico. Resultando no surgimento de uma sociedade em cada região, condicionada pelo sistema de ocupação, cada sociedade marcada por tipos humanos característicos e condições sociais específicas.
Vemos hoje que traços ou complexos de cultura integrantes na formação brasileira ou característicos, como valores de cultura, do Brasil moderno nos vieram em grande parte, dos indígenas, da participação do negro africano como escravo e fundamentalmente do português.
Outro grupo étnico também devemos citar como presente nos processos de mestiçagem e de transculturação no Brasil: O cigano aparece nas terras brasileiras desde cedo, reproduzindo-se entre si, ou cruzando-se com outros grupos culturais.
No período colonial aparecem ainda italianos, alemães e ingleses. Porém são contribuições de natureza puramente individual como também vários missionários religiosos, viajantes e cientistas que andaram pelo Brasil.
De várias províncias portuguesas vieram elementos humanos para a formação da população brasileira. De fundamental relevância para a formação brasileira foi à contribuição do lusitano. Além da língua e da organização social, a religião, a arte, a vida de família, o espírito tradicionalista, enfim o “ethos” do brasileiro.
O folclore brasileiro tem sua base nos lusitanos, o indígena e o negro contribuíram com seus ritmos, cantos, músicas, danças... Hoje podemos ver o folclore brasileiro mestiçado, um produto de transculturação. Do negro o Brasil recebeu copiosa colaboração étnica, na constituição antropológica da população, como igualmente a recebemos no processo transculturativo, com o indígena e o português, o escravo negro nos deu muito de sua cultura, em vários aspectos específicos, que hoje se fixam na vida brasileira.
 
 
 

3 O QUE É EDUCAÇÃO

 
A educação está em todas as ações, manifestações e vida do planeta. De um modo ou de muitos, todos nós envolvemos pedaços de vida com ela: Aprendendo, ensinando, ensinando e aprendendo. Não há uma forma única, nem um único modelo de educação: A escola não é o único lugar onde a educação acontece, e nada nos prova que seja o melhor lugar. A educação existe em cada povo, ou entre povos que se encontram. Da família à comunidade, a educação existe difusa em todos os mundos sociais, entre as incontáveis práticas dos mistérios do aprender.
A educação participa do processo de produção de crenças e idéias, qualificações e especialidades que envolvem as trocas de símbolos, bens e poderes que, em conjunto, constroem tipos de sociedades. O homem com o seu trabalho e consciência, transforma partes da natureza em invenções de sua cultura, com o tempo passou a transformar parte das trocas feitas no interior desta cultura em situações sociais de aprender – e não continua apenas o trabalho da vida, vai se instalando num domínio propriamente de trocas, símbolos, intenções, padrões de cultura e de relações de poder. Vê-se assim que um espaço educacional não é dentro da escola, é onde há vida e trabalho.
A educação está em todas as ações, manifestações e vida do planeta. De um modo ou de muitos, todos nós envolvemos pedaços de vida com ela: Aprendendo, ensinando, ensinando e aprendendo.
Buscando nos dois dicionários brasileiros mais conhecidos, a educação aparece assim definida:
 
 
Ação e efeito de educar, de desenvolver as faculdades físicas, intelectuais e morais da criança e, em geral, do ser humano; disciplinamento, instrução, ensino. (Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa, Caldas Aulete, 1954-pag.344
 
Ação exercida pelas gerações adultas sobre as gerações jovens para adaptá-las à vida social; Trabalho sistematizado, seletivo, orientador, pelo qual nos ajustamos à vida, de acordo com as  necessidades ideais e propósitos dominantes; ato ou efeito de educar; aperfeiçoamento integral de todas as faculdades humanas, polidez, cortesia. (Pequeno Dicionário Brasileiro de Língua Portuguesa, Aurélio Buarque de Hollanda 1971.
 
 
Analisando o miolo de cada uma dessas definições, vemos que a educação são maneiras de transmitir e assegurar a outras pessoas o conhecimento de crenças, técnicas e hábitos que um grupo social já desenvolveu a partir de suas experiências de sobrevivência.
Vemos a ideologia cultural na educação, expressa na maneira pela qual a escola escreve o seu PPP (Projeto Político Pedagógico), os modos de relacionamentos entre si no coletivo escolar, assim como os modos de relacionamento que mantém com a comunidade em que se encontra inserida.
Assim, a interpretação estrutural quanto à crítica, entendem a ideologia como um processo de reprodução do real, do cotidiano, da expressão.
Conforme Morim, a educação precisa ser reorganizada, não no ato de ensinar, mas nos defeitos do sistema educacional. As disciplinas sendo ensinadas separadamente e sem comunicação entre si produzem uma fragmentação e uma dispersão que nos impede de ver globalmente coisas que são cada vez mais importantes no mundo. Existem problemas centrais e fundamentais que continuam completamente ignorados ou esquecidos e que são importantes para qualquer sociedade e qualquer cultura.
Ensinar a condição humana deveria ser o objetivo essencial de qualquer sistema de ensino, e isso passa por considerar conhecimentos que encontram dispersos em várias disciplinas como as ciências naturais, as ciências humanas, a literatura e a filosofia. As novas gerações precisam conhecer a unidade e a diversidade do ser humano.
Compreender é ao mesmo tempo meio e fim da comunicação humana, portanto não pode ser algo desconsiderado pela educação. E para tanto, precisa-se passar por uma reforma das mentalidades. Abordar a ética do gênero humano de forma que se considere tanto o indivíduo, quanto a sociedade e a espécie. E isso não se ensina dando lições de moral. Isso passa pela consciência que o humano vai adquirindo de si mesmo como parte da sociedade e da espécie humana. Isso implica em conceber a humanidade como uma comunidade planetária composta de indivíduos que vivem em democracias.
Na “Letra da lei” a coisa não muda. Ao pretenderem estabelecer quais os fins da educação no país, os nossos legisladores, pelo menos em teoria, garantem para todos, o melhor a seu respeito.
 
 
Art. 1º - A educação nacional, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por fim:
  1. A compreensão dos direitos e deveres da pessoa humana, do cidadão, do Estado, da família e dos demais grupos que compõem a comunidade;
  2. O respeito à dignidade e as liberdades fundamentais do homem.
  3. O fortalecimento da unidade nacional e da solidariedade internacional;
  4. O desenvolvimento integral da personalidade humana e a sua participação na obra do bem comum;
  5. O preparo do indivíduo e da sociedade para o domínio dos recursos científicos e tecnológicos que lhes permitam utilizar as possibilidades e vencer as dificuldades do meio;
  6. A preservação do patrimônio cultural;
  7. “A condenação a qualquer tratamento desigual por motivo de convicção filosófica, política ou religiosa, bem como a quaisquer preconceitos de classe ou raça.         (Lei 4024, de 20 de dezembro de 1961)
 
 
Contudo, pensadores, intelectuais, educadores e estudantes fazem e refazem constantemente, críticas à prática da educação no Brasil. Questões levantadas através destes olhares afirmam que, do Ministério à escolinha, a educação nega no cotidiano o que afirma na lei. Não se vivencia a liberdade e a educação no Brasil aparece inerte nos últimos anos, não há igualdade, não se identifica nem o fortalecimento dos nossos verdadeiros valores culturais.
Seguindo mais além, os artigos 2º e 3º da Lei 4024, garantem na sua legitimidade que:
“A educação é direito de todos e será dada no lar e na escola... À família cabe escolher o gênero de educação que deve dar a seus filhos”.
Porém o que se escreve no papel, e o que se legitima na ação são antagônicos, provocando protestos e cobranças sobre a Lei existente, aclama-se pelo seu cumprimento, a contemplação do que ela traz como verdade, principalmente que haja liberdade na educação, e através desta liberdade que a escola exista para todos, e seja distribuída por igual entre todos; portanto a distância que há entre a promessa e a realidade.
O Brasil “dá” ao mundo o maior pedagogo dos últimos tempos: Paulo Freire. É Freire em seu pensar sobre a educação, não pensa idéias e sim existências, falando de conscientização, numa educação realmente libertadora.
É uma pedagogia problematizadora, humanizadora, que não se legitima se houver união entre, teoria e prática, onde ao invés de existir “superioridade” e tratamento excludente sobre as oportunidades, com eles, estabelecer uma relação dialógica, onde se sobressairá a união entre educador e educando, aonde ambos aprendem e ensinam simultaneamente.
Sendo assim, para Paulo Freire, vivemos numa sociedade dividida em classes, sendo que os privilégios de uns, impedem que a maioria usufrua dos bens produzidos e, coloca como um desses bens produzidos e necessários para concretizar a vocação humana a educação, da qual é excluída grande parte da população do terceiro mundo.
Relata dois tipos de pedagogias:
- A pedagogia dos dominantes, onde a educação existe como prática de dominação.
- A pedagogia dos oprimidos; que vê como necessária, no qual a educação surge como prática de liberdade.
Educar é construir, libertar o ser humano das cadeias do determinismo neoliberal. Ensino do saber com formação ética dos educandos, prática com teoria, ignorância com saber, autoridade com liberdade, respeito mútuo, ensino com aprendizagem, isso para Freire é educação.
A variação da maneira como o triângulo educação – ensino – escola tem sido formulado no Brasil pelas pessoas que detém o poder direto ou indireto de determinar como ele vai existir, dá o que pensar.
 
 
 
 
5 CONCLUSÃO
 
Uma frase de Santo Tomás de Aquino diz: “Finis totius gerenationis est homo” – que traduzida em sua íntegra é: “O fim de toda geração é o homem”.
A frase de São Tomás de Aquino mostra que todas as gerações, culturas existentes, com todo o seu esforço e suas transformações têm como objetivo único o homem. Entendemos então que toda cultura tem sido o homem e para o homem.
 Não sendo o homem um produto só da natureza, nem só da história, mas em parte da natureza e em parte da história; esse amálgama entre natureza e história chama-se cultura. O homem tem em si natureza e história, e seus atos são fruto desta natureza e também da cultura. Portanto, língua, costumes, técnicas e valores são os elementos essenciais construtivos de toda a cultura.
Cada povo parte destes elementos e desenvolve todos os outros aspectos que contribuem para conferir-lhe sua forma específica: a arte, filosofia, religião, ciência, literatura, política, etc. É através da educação que se constrói uma sociedade com uma cultura específica. É com a educação que se aprende a história, os costumes e o porquê de se ter essa cultura. Com a educação forma-se o homem e como ele irá agir perante a sociedade em diferentes aspectos e cabe a escola e a família formar esse cidadão.
 
 

REFERÊNCIAS

 
COSTA, Arlindo. Metodologia científica. Ed. Nosde. Mafra – SC, 2006.
 
DURKHEIM.É.As regras do método sociológico. São Paulo: Martins Fontes, 1995.
 
FORQUIN, Jean-Claude. Escola e cultura – as bases sociais e epistemológicas do conhecimento escolar. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.
 
LARAIA, Roque de Barros.CULTURA – um conceito antropológico. Rio de Janeiro: ed. Tavares e Tristão Ltda, 1996.
 
MARTIN – BARBERO, Jesús. Dos meios as medições: comunicação, cultura e hegemonia. Rio de Janeiro; UFRJ, 1997.
 
ORTIZ, Renato. A moderna tradição brasileira. São Paulo: Brasiliense, 1994.
 
SANTOS, L. Currículo e diferenças culturais em tempo de globalização. Campinas: Papirus, 1995.
 
 
 
 
 

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