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Fernanda Guimarães






A Voz das Minhas Mãos

Pede-me moderação a mão destra
Como se possível fosse emudecer
Os gestos que anseiam o toque
Dedilhado pelos caminhos da escrita
Quando são os versos precipício e refúgio
A canhestra emoção entorna dos dedos
Ignorando a vigília do comedimento
Ou a calma que me indica a ponderação
A palavra em mim é sempre exposta
Inquieta e nua, engolindo silêncios

Tenho na ponta dos dedos
O lado de dentro do peito
O verso e anverso do que não sei
Meu viés e reverso confessos
Sou de dizeres fartos e incontidos
Que se lançam impulsivos no papel
No abismo de linhas desconhecidas
Minha caligrafia não acalenta brisas
Descobre-se e sabe-se em ventanias
Escrevo sempre intensamente
Como se a última palavra fosse
E na voz de cada letra
Balbuciasse o derradeiro suspiro

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