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Fernanda Guimarães






Vivências

É momento do recolher das conchas.
O mar sacudido pelo frêmito das ondas
Abraça atrevido o cheiro dos corpos
Que em suas águas tremeram

É momento de guardar soluços
Que ressoam nas lágrimas das marés
Enquanto um lenço bordado de saudade
Repousa esquecido no cais

É momento de deixar o olhar à deriva
A tristeza a secar-se no colo do sol
Ainda que no silêncio dos lábios
As palavras cristalizem-se sem ar

É momento da memória em vigília
Ardendo sob o sal da espera.
Segredos entrelaçados em dedos mudos
Acalentando a espuma das horas

É momento de modificar rotas
Como o vento a desalinhar margens
Enquanto erma, a paisagem se fecha
Lambendo os passos já sepultados

É momento de baixar âncoras
E contemplar a curva do tempo
Até que arrebatada do peito
A dor caia em sono profundo...

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